Ambev: como nasceu a maior cervejaria da América Latina
A história da Ambev, criada em 1999 pela fusão de Brahma e Antarctica: a formação da AB InBev, as marcas, as fábricas e a automação das linhas de envase.

Quando se fala nas maiores indústrias do Brasil, o retrato muda pouco de um ano para o outro: o topo é ocupado por petróleo, proteína animal, mineração e siderurgia, com alimentos, bebidas, celulose e petroquímica logo atrás. O que muda é a ordem de algumas posições, puxada pelo câmbio, pelo preço das commodities e por fusões e aquisições.
Este artigo organiza as maiores indústrias do país por receita, com base nas edições de 2025 do Valor 1000, do jornal Valor Econômico, e do Melhores & Maiores, da revista Exame. Onde a posição varia entre um levantamento e outro, agrupamos as empresas por setor e informamos a ordem de grandeza em vez de cravar um número.
A Petrobras lidera com folga qualquer ranking por receita no Brasil. Em 2024 a estatal reportou receita líquida de cerca de R$ 490 bilhões, sustentada pela produção do pré-sal, que já responde pela maior parte do óleo extraído no país. É também a maior compradora de automação de processo do país.
A JBS é a maior indústria de transformação do país e, dependendo do critério, disputa a primeira posição geral: quando o levantamento usa receita bruta, a empresa de proteína animal chega a superar a Petrobras. Em 2024 a receita líquida ficou acima de R$ 400 bilhões, com a maior parte gerada fora do Brasil, em operações nos Estados Unidos, na Austrália e na Europa.
Joint venture entre Cosan e Shell, a Raízen combina a maior produção de etanol e açúcar de cana do mundo com uma rede de distribuição de combustíveis. Por ser um grupo integrado, aparece nos rankings entre as maiores receitas do país, com faturamento anual na casa das centenas de bilhões de reais. Suas dezenas de usinas no interior de São Paulo são um grande mercado de automação.
A Vale é a maior mineradora do país e uma das maiores do mundo em minério de ferro. Com receita anual na ordem de US$ 40 bilhões, aparece consistentemente entre as cinco maiores empresas brasileiras. A companhia foi pioneira no uso de caminhões autônomos em minas brasileiras, começando em Brucutu (MG) e estendendo o modelo para Carajás (PA).
O grupo Marfrig, que controla a BRF, consolidou em 2024 uma receita líquida acima de R$ 140 bilhões, o que o coloca entre as maiores indústrias de alimentos do mundo. A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, tem sozinha receita superior a R$ 60 bilhões, com fábricas em Santa Catarina, Paraná, Goiás e Mato Grosso.
Maior cervejaria da América Latina e braço regional da AB InBev, a Ambev registrou receita líquida de cerca de R$ 90 bilhões em 2024. Suas fábricas de cerveja e refrigerantes estão entre as plantas de bens de consumo mais automatizadas do país.
A Braskem é a maior petroquímica das Américas em capacidade de resinas termoplásticas e a única produtora brasileira de polietileno e polipropileno. A receita líquida em 2024 ficou acima de R$ 70 bilhões, com polos em Camaçari (BA), Triunfo (RS), Mauá (SP) e Duque de Caxias (RJ), além de fábricas nos Estados Unidos, no México e na Alemanha.
A Gerdau é a maior produtora de aços longos das Américas e a maior recicladora de sucata da América Latina. A receita líquida de 2024 ficou na faixa de R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões, distribuída entre as usinas no Brasil, na América do Norte e na América do Sul. A empresa investiu em digitalização de usinas e em análise de dados de processo, tema abordado na história da Gerdau.
Maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, a Suzano fatura em torno de R$ 45 bilhões a R$ 50 bilhões por ano, com fábricas em Mato Grosso do Sul, Maranhão, Bahia, Espírito Santo e São Paulo. A Klabin, maior produtora de papéis para embalagem do país, aparece um degrau abaixo.
Além da Gerdau, as duas siderúrgicas integradas mais tradicionais do país seguem entre as maiores indústrias. A CSN, de Volta Redonda (RJ), soma siderurgia, mineração, cimento e logística e fatura na casa das dezenas de bilhões de reais. A Usiminas, de Ipatinga (MG), é a principal fornecedora de aços planos para a indústria automotiva e de linha branca.
A WEG é a maior fabricante de motores elétricos da América Latina e um dos poucos casos de indústria brasileira de bens de capital com presença global. A receita líquida de 2024 ficou perto de R$ 38 bilhões, com fábricas em Santa Catarina, no exterior e uma linha de produtos que vai de motores e inversores a transformadores e geradores eólicos. A trajetória da empresa está na história da WEG.
Terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, a Embraer fechou 2024 com receita na faixa de US$ 6 bilhões, o equivalente a mais de R$ 30 bilhões. A companhia de São José dos Campos (SP) é o maior exportador de bens de alto valor agregado do país. Conheça a história da Embraer.
As montadoras estão entre as maiores indústrias do país, mas a maioria não publica balanço separado da matriz, o que faz com que apareçam sem receita ou fora dos rankings. A Stellantis, com a fábrica de Betim (MG) e o polo de Goiana (PE), lidera as vendas de veículos no Brasil há anos. Volkswagen, General Motors e Toyota completam o grupo, que concentra a maior densidade de robôs industriais do país.
Três conclusões saltam da lista. A primeira é a concentração em commodities e proteína: petróleo, minério, aço, celulose e carne respondem pela maior parte da receita das maiores indústrias brasileiras. A segunda é a presença discreta de bens de capital e alta tecnologia, restrita a nomes como WEG e Embraer. A terceira é que justamente essas indústrias de grande escala são as que mais compram automação no país, seja por exigência de segurança de processo, como em petróleo e petroquímica, seja pela busca de produtividade, como em alimentos e siderurgia.
Para quem trabalha com automação, o ranking funciona como um mapa de mercado: mostra onde estão os grandes orçamentos de capex e quais setores puxam a demanda por controle, instrumentação e robótica. A combinação Marfrig-BRF, o pré-sal e a expansão da celulose devem manter esse desenho nos próximos anos.
Pela receita líquida, a Petrobras é a maior empresa industrial do país, com faturamento na casa de meio trilhão de reais por ano. Entre as indústrias de transformação, a JBS é a maior, com receita líquida acima de R$ 400 bilhões em 2024.
Os dois mais consultados são o Valor 1000, do jornal Valor Econômico, e o Melhores & Maiores, da revista Exame. Ambos ordenam as companhias pela receita líquida do ano anterior, com base em balanços publicados.
Petróleo e energia, alimentos e bebidas, mineração e siderurgia, celulose e papel, química e petroquímica e o setor automotivo. Bens de capital aparecem com a WEG e a indústria aeronáutica com a Embraer.
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