Ambev: como nasceu a maior cervejaria da América Latina
A história da Ambev, criada em 1999 pela fusão de Brahma e Antarctica: a formação da AB InBev, as marcas, as fábricas e a automação das linhas de envase.

Poucas marcas brasileiras são tão associadas a um produto quanto a Tigre aos tubos e conexões de PVC. A empresa, fundada em 1941 em Joinville, em Santa Catarina, não nasceu no ramo da construção: começou fabricando pentes. Oito décadas depois, é a líder do mercado brasileiro de tubos e conexões, tem fábricas em vários países das Américas e continua controlada pela família do fundador, João Hansen Júnior.
Em 1941, João Hansen Júnior, um jovem empreendedor de Joinville, assumiu uma pequena fábrica de pentes que já usava o nome Tigre. Os pentes eram produzidos com materiais como chifre e, depois, com plásticos, que começavam a substituir matérias-primas naturais em bens de consumo. Nos anos seguintes a empresa ampliou o catálogo com outros artigos plásticos de uso doméstico, aprendendo na prática a moldar polímeros numa época em que quase não havia tecnologia disponível para isso no país.
Joinville era o cenário certo. A cidade, colonizada por imigrantes alemães, já se consolidava como polo metalmecânico, e a Tigre cresceu ao lado de outras indústrias que fizeram do município o maior parque fabril de Santa Catarina, hoje um dos maiores polos industriais do Brasil.
A decisão que definiu a empresa veio na década de 1950. O PVC, plástico rígido, leve e resistente à corrosão, começava a ser usado na Europa e nos Estados Unidos em tubulações hidráulicas, substituindo o ferro fundido e o cimento-amianto. A Tigre apostou nesse material e passou a produzir tubos e conexões de PVC para instalações prediais, sendo uma das pioneiras da tecnologia no Brasil.
O momento era favorável. O país vivia a urbanização acelerada das décadas de 1950 a 1970, com forte demanda por moradias e redes de água e esgoto. Tubos de PVC eram mais baratos de transportar e instalar, e a solda a frio com adesivo plástico dispensava mão de obra especializada. A empresa cresceu junto com a construção civil e passou a investir em fábricas em outras regiões, com unidades em estados como São Paulo, Bahia e Pernambuco, além da matriz em Joinville.
A internacionalização começou no fim da década de 1970, com a primeira operação no Paraguai. Nas décadas seguintes, a Tigre construiu ou adquiriu fábricas na Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador e Uruguai, além de entrar nos Estados Unidos. A estratégia costumava seguir o mesmo roteiro: comprar um fabricante local já estabelecido, padronizar processos e produtos e levar a marca para o varejo de materiais de construção.
No Brasil, a empresa diversificou para além da hidráulica. Passou a fabricar eletrodutos e materiais para instalações elétricas, ferramentas para pintura (pincéis, rolos e trinchas, sob a marca Pincéis Tigre) e, no fim da década de 2000, formou a joint venture Tigre-ADS com a norte-americana Advanced Drainage Systems, para produzir tubos corrugados de polietileno usados em drenagem e saneamento.
O portfólio atual é amplo e cobre praticamente toda a rede de água, esgoto e eletricidade de uma edificação:
A empresa emprega milhares de pessoas, tem dezenas de unidades industriais somando Brasil e exterior e é referência na normalização técnica do setor, participando de comitês da ABNT que definem os requisitos de tubos e conexões plásticas.
A fabricação de tubos e conexões é um caso clássico de processo contínuo e discreto convivendo na mesma planta, e depende de automação em todas as etapas.
Os tubos são feitos por extrusão. A resina de PVC é misturada com aditivos em sistemas de dosagem automática, que pesam cada componente com precisão de gramas, e alimenta extrusoras onde o composto é fundido e forçado por uma matriz. Na sequência, calibradores a vácuo, tanques de resfriamento, puxadores e serras sincronizadas garantem diâmetro, espessura de parede e comprimento constantes. Sensores medem a espessura da parede em tempo real e realimentam o controle da extrusora, e cabeçotes de impressão marcam em cada tubo a norma, o lote e a data, o que permite a rastreabilidade exigida pelas certificações.
As conexões saem de injetoras. Moldes com múltiplas cavidades, muitos deles produzidos em ferramentaria própria, recebem o PVC fundido sob pressão e liberam dezenas de peças por ciclo. A extração é feita por manipuladores e robôs industriais, que retiram as peças, separam galhos de injeção e as depositam em esteiras, sem contato humano e com ciclos de poucos segundos.
Laboratórios de controle de qualidade realizam ensaios de pressão hidrostática, impacto e estabilidade dimensional, e sistemas de gestão de produção consolidam dados de eficiência de cada linha. A indústria de transformação de plásticos foi uma das primeiras a adotar em escala a integração entre máquinas e software de chão de fábrica, e a Tigre, pelo porte, é um dos maiores consumidores de resina de PVC do país, o que exige planejamento fino de suprimento e de produção.
A Tigre é líder no mercado brasileiro de tubos e conexões, disputa espaço com concorrentes como a Amanco, e sua marca é uma das mais lembradas do setor de construção, apoiada por décadas de campanhas publicitárias e por uma rede de distribuição que chega a lojas de materiais de construção em todo o país.
O legado da família Hansen vai além dos produtos. A empresa manteve a sede em Joinville, ajudou a formar mão de obra técnica na região e provou que uma indústria de bens de construção do interior do Sul podia se tornar multinacional. A história da Tigre também ilustra um padrão da indústria brasileira: a capacidade de identificar cedo um material ou tecnologia, como o PVC nos anos 1950, e construir em torno dele uma posição de mercado que resiste por gerações.
De pentes a tubos, a Tigre continua fazendo o básico bem feito: plástico moldado com precisão, em escala e dentro da norma. É uma receita simples de descrever e difícil de copiar.
A Tigre foi fundada em 1941 em Joinville (SC) por João Hansen Júnior, que assumiu uma pequena fábrica de pentes. A empresa entrou no ramo de tubos e conexões de PVC na década de 1950 e continua sediada em Joinville, sob controle da família Hansen.
A Tigre fabrica tubos e conexões para água fria, água quente, esgoto, infraestrutura e irrigação, além de eletrodutos e materiais elétricos, ferramentas para pintura (pincéis e rolos) e tubos de polietileno para drenagem por meio da joint venture Tigre-ADS.
Além do Brasil, a Tigre tem fábricas e operações comerciais em países como Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru, Equador, Uruguai e Estados Unidos. A internacionalização começou no fim da década de 1970, pelo Paraguai.
A história da Ambev, criada em 1999 pela fusão de Brahma e Antarctica: a formação da AB InBev, as marcas, as fábricas e a automação das linhas de envase.
Guia dos principais prêmios da indústria brasileira: Prêmio Nacional de Inovação, Prêmio Finep, Melhores em Gestão, honrarias da ISA e Prêmio Automação.
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