Tigre: de fábrica de pentes em Joinville a líder em tubos e conexões
A história da Tigre, fundada em 1941 em Joinville por João Hansen Júnior: dos pentes aos tubos e conexões de PVC, expansão pelas Américas e automação.

A Ambev é a maior cervejaria da América Latina, dona de Skol, Brahma, Antarctica e Guaraná Antarctica, com cerca de 30 cervejarias e fábricas de refrigerantes no Brasil e operações da Argentina ao Canadá. A empresa nasceu em 1999, da fusão entre duas rivais centenárias, e cinco anos depois foi a semente da maior cervejaria do mundo, a AB InBev. Sua história também é a história de como a indústria de bebidas brasileira se tornou uma das mais automatizadas do país.
A Companhia Antarctica Paulista foi fundada em 1885, em São Paulo, e começou como fábrica de gelo e cervejaria. Em 1921 lançou o Guaraná Antarctica, que se tornaria o refrigerante brasileiro mais conhecido. A Brahma nasceu três anos depois da concorrente, em 1888, no Rio de Janeiro, fundada pelo suíço Joseph Villiger. Ao longo do século XX, as duas dividiram o mercado nacional, compraram cervejarias regionais e construíram redes de distribuição que chegavam a qualquer bar do país.
A Brahma também ficou com a Skol, marca de origem europeia lançada no Brasil em 1967 e incorporada ao seu portfólio na década de 1980. Em 1989, o Banco Garantia, de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, comprou o controle da Brahma e implantou uma gestão focada em metas, meritocracia e corte de custos, que se tornaria a marca do grupo.
Em julho de 1999, Brahma e Antarctica anunciaram a fusão que criaria a Companhia de Bebidas das Américas, a Ambev. A operação foi analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, que a aprovou em 2000 com condições, entre elas a venda da marca Bavaria e de fábricas a um concorrente e o compartilhamento da rede de distribuição por um período.
A nova empresa já nascia entre as maiores cervejarias do mundo e com ambição continental. Em 2002, associou-se à Quilmes, líder do mercado argentino, e ampliou a presença em países vizinhos como Bolívia, Paraguai e Uruguai. Marcas históricas foram preservadas: a Bohemia, cerveja produzida em Petrópolis (RJ) desde 1853 e considerada a mais antiga do Brasil, continuou no portfólio.
Em 2004, a Ambev combinou-se com a belga Interbrew, dona de Stella Artois e Beck's, formando a InBev. No arranjo, a Ambev recebeu a canadense Labatt, e os controladores brasileiros passaram a integrar o bloco de controle do grupo belga. Em 2008, a InBev comprou a norte-americana Anheuser-Busch, dona da Budweiser, e virou AB InBev, a maior cervejaria do mundo. O brasileiro Carlos Brito comandou o grupo de 2005 a 2021.
A Ambev permaneceu como empresa própria, com sede em São Paulo, ações negociadas na B3 e na bolsa de Nova York, e controle da AB InBev. É responsável pelas operações do grupo no Brasil, na América do Sul, na América Central, no Caribe e no Canadá, e figura entre as maiores empresas do país em valor de mercado, ao lado de nomes que aparecem no nosso ranking das maiores indústrias do Brasil.
O volume consolidado de bebidas da Ambev passa de 100 milhões de hectolitros por ano. O portfólio brasileiro inclui:
Fora do Brasil, a Ambev opera marcas como Quilmes (Argentina), Paceña (Bolívia), Pilsen (Paraguai e Uruguai), Presidente (República Dominicana) e Labatt (Canadá). O grupo emprega dezenas de milhares de pessoas e tem maltarias próprias, que transformam cevada em malte para as cervejarias.
Uma cervejaria moderna é uma planta de processo contínuo acoplada a uma operação discreta de altíssima cadência. Na brassagem, o malte moído é misturado à água em tinas onde temperatura, tempo e vazão são controlados por controladores lógicos programáveis e sistemas de controle distribuído. Sensores de temperatura, pressão, nível, pH, oxigênio dissolvido e CO2 acompanham a fermentação em tanques de centenas de milhares de litros, e os ciclos de limpeza CIP são executados automaticamente entre lotes, sem desmontar tubulação.
O envase é onde a automação fica mais visível. As linhas de latas mais rápidas da indústria passam de 100 mil unidades por hora, com enchedoras rotativas de dezenas de válvulas, recravadeiras, pasteurizadores em túnel e inspetores que verificam nível de enchimento, presença de tampa e integridade do rótulo por raios X e visão computacional, rejeitando qualquer unidade fora do padrão sem parar a linha. Garrafas retornáveis passam por lavadoras e inspetores de vazio antes de voltar ao ciclo. No fim, paletizadores robotizados e veículos autoguiados levam os paletes ao armazém. Para entender os princípios por trás desse tipo de operação, vale ler o nosso guia sobre o que é automação industrial.
Sobre as máquinas roda uma camada de software: sistemas de execução de manufatura registram paradas, calculam eficiência global de cada linha e alimentam programas de manutenção. A AB InBev padronizou essas práticas num sistema de gestão próprio, o VPO, aplicado em todas as fábricas do grupo. Na frente comercial, a Ambev lançou em 2016 o aplicativo Zé Delivery, de entrega de bebidas ao consumidor, e a plataforma BEES, que digitalizou o pedido de bares e pequenos varejistas.
A Ambev detém a maior fatia do mercado brasileiro de cerveja, disputa espaço com grupos como Heineken e Petrópolis e mantém uma das maiores redes de distribuição do país, entre centros próprios e revendas. Nos últimos anos, a empresa passou a divulgar metas de energia renovável, redução do uso de água e embalagens retornáveis, e ampliou o portfólio de cervejas sem álcool e de marcas premium para responder à mudança de hábitos do consumidor.
O legado corporativo é igualmente relevante. O modelo de gestão implantado na Brahma nos anos 1990, exportado depois para a InBev e a AB InBev, influenciou uma geração de executivos e empresas brasileiras. E a fusão de 1999 mostrou que uma companhia nascida no Brasil podia liderar a consolidação de um setor global.
De duas cervejarias rivais do século XIX a uma operação continental controlada pela maior cervejaria do mundo, a Ambev resume, em poucas décadas, a transformação da indústria brasileira de bebidas: escala, marcas fortes e fábricas onde quase nada acontece sem um sensor por perto.
A Ambev nasceu em 1999 da fusão entre a Brahma, fundada no Rio de Janeiro em 1888, e a Antarctica, fundada em São Paulo em 1885. A operação foi aprovada pelo Cade em 2000, com condições como a venda da marca Bavaria.
Sim. Em 2004 a Ambev combinou-se com a belga Interbrew, formando a InBev, que em 2008 comprou a norte-americana Anheuser-Busch e virou AB InBev. A Ambev segue como empresa listada na B3 e controlada pela AB InBev.
No Brasil, a Ambev é dona de cervejas como Skol, Brahma, Antarctica, Bohemia, Original, Spaten, Corona, Stella Artois e Budweiser, além de Guaraná Antarctica e da produção e distribuição de Pepsi no país.
A história da Tigre, fundada em 1941 em Joinville por João Hansen Júnior: dos pentes aos tubos e conexões de PVC, expansão pelas Américas e automação.
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