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WEG: de Jaraguá do Sul à maior fabricante de motores da América Latina

Por Redação ·

WEG: de Jaraguá do Sul à maior fabricante de motores da América Latina

Poucas empresas brasileiras resumem tão bem a trajetória da indústria nacional quanto a WEG. Nascida em 1961 numa pequena oficina de Jaraguá do Sul, no norte de Santa Catarina, a companhia se tornou a maior fabricante de motores elétricos da América Latina e uma das maiores do mundo, com fábricas em mais de uma dezena de países e mais de 40 mil funcionários. Para quem trabalha com automação industrial, conhecer essa história ajuda a entender por que a marca aparece em quase todo painel elétrico do país.

A origem: três sócios e uma oficina em Santa Catarina

A WEG foi fundada em 16 de setembro de 1961 por três amigos com formações complementares: Werner Ricardo Voigt, eletricista; Eggon João da Silva, administrador; e Geraldo Werninghaus, mecânico. O nome da empresa é a junção das iniciais dos três fundadores. A razão social original era Eletromotores Jaraguá, e o primeiro produto era exatamente o que o nome indicava: motores elétricos.

Jaraguá do Sul era, na época, uma cidade pequena, de colonização alemã e vocação industrial ainda incipiente. A escolha de produzir motores elétricos, um componente básico de praticamente qualquer máquina, deu à empresa um mercado amplo desde o início. Nos primeiros anos, a produção era modesta e o desafio era convencer os clientes de que um motor nacional podia competir em qualidade com os importados.

A divisão de trabalho entre os fundadores marcou a cultura da companhia: Voigt cuidava da parte técnica, Werninghaus da produção e Eggon da administração e das vendas.

Marcos de expansão e diversificação

A década de 1970 foi de consolidação no mercado interno. Em 1971, a WEG abriu o capital na bolsa de valores, o que ajudou a financiar a expansão do parque fabril. A partir dos anos 1980, a empresa passou a diversificar de forma sistemática, criando divisões que hoje formam os pilares do grupo:

A internacionalização ganhou força a partir de 2000, quando a empresa passou a ter unidades fabris fora do Brasil. Entre os movimentos mais importantes estão a aquisição de fábricas de motores no México e na Argentina, a entrada em Portugal, a construção de unidade na China (Nantong), a chegada à Índia e à África do Sul, e as aquisições na Alemanha, na Áustria e nos Estados Unidos no início da década de 2010. Em 2024, a WEG concluiu a compra do negócio de motores e geradores industriais da Regal Rexnord, com marcas como Marathon e Cemp, ampliando sua presença na América do Norte e na Europa.

O que a WEG produz hoje

O portfólio atual vai muito além do motor de indução que deu origem à empresa. Em linhas gerais, a WEG opera nos seguintes segmentos:

O faturamento anual do grupo supera a casa das dezenas de bilhões de reais, e a maior parte da receita vem de fora do Brasil, o que reflete o grau de internacionalização alcançado.

WEG e a automação industrial

Para o profissional de automação, a WEG é sobretudo uma fornecedora de acionamentos. Os inversores da linha CFW estão entre os mais usados no Brasil para controle de velocidade de bombas, ventiladores, esteiras e extrusoras, e a integração entre motor e inversor da mesma marca é frequentemente citada como um dos diferenciais comerciais da empresa. Quem está avaliando um projeto desse tipo pode consultar nosso guia sobre como escolher um inversor de frequência, que discute os critérios técnicos de forma independente de marca.

Nos últimos anos, a empresa investiu em soluções digitais para conectar seus equipamentos: sensores acoplados aos motores para monitorar vibração e temperatura, plataformas de nuvem para gestão de ativos e inversores com conectividade nativa em protocolos industriais. Esse movimento acompanha a tendência de que o motor deixe de ser um componente passivo e passe a fornecer dados para estratégias de manutenção preditiva e eficiência energética.

A WEG também é referência em eficiência: suas linhas de motores de alto rendimento ajudaram a puxar a adoção de classes de eficiência mais rigorosas no Brasil. Em fábricas com centenas de motores, a substituição por modelos mais eficientes é uma das formas mais diretas de reduzir a conta de energia.

Presença no mercado e governança

A WEG é uma das empresas de maior valor de mercado da bolsa brasileira e integra o Ibovespa. Diferentemente de muitas companhias familiares, adotou cedo uma gestão profissional, com executivos de carreira ocupando a presidência e as famílias fundadoras representadas no conselho de administração. Essa estrutura é frequentemente apontada como uma das razões da estabilidade da empresa ao longo de crises econômicas.

No mercado, a companhia se posiciona como fornecedora de sistemas completos, e não apenas de componentes: da geração de energia ao motor na ponta da linha, passando por transformadores, painéis e acionamentos. Essa integração vertical dá à WEG controle sobre custos e prazos que poucos concorrentes possuem.

O legado de Jaraguá do Sul

Jaraguá do Sul cresceu junto com a WEG. A empresa ainda mantém ali sua sede e o maior complexo fabril, além de centros de treinamento técnico que formaram gerações de eletricistas, mecânicos e engenheiros. O modelo de formação interna de mão de obra, com escola própria e programas de aprendizagem, é uma das marcas da cultura da companhia.

Mais do que uma fabricante de motores, a WEG se tornou um caso de estudo sobre como uma empresa brasileira pode competir globalmente em produtos de engenharia, um segmento em que o país historicamente importa mais do que exporta. Para a indústria nacional de automação, ela é ao mesmo tempo fornecedora e referência de que é possível fazer tecnologia industrial de ponta a partir do interior de Santa Catarina.

Fontes e referências

Perguntas frequentes

Quem fundou a WEG e o que significa o nome?

A WEG foi fundada em 16 de setembro de 1961, em Jaraguá do Sul (SC), por Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus. O nome é formado pelas iniciais dos três fundadores.

O que a WEG fabrica além de motores elétricos?

Além de motores de baixa e alta tensão, a WEG produz inversores de frequência, soft-starters, CLPs, geradores, transformadores, painéis elétricos, tintas e vernizes industriais, além de equipamentos para energia eólica, solar e mobilidade elétrica.

Em quantos países a WEG está presente?

A WEG tem fábricas em mais de uma dezena de países, incluindo Brasil, México, Estados Unidos, Portugal, Alemanha, Áustria, África do Sul, Índia e China, e comercializa produtos em mais de 135 países.

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