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Gerdau: mais de 120 anos de aço e a reinvenção da siderurgia brasileira

Por Redação ·

Gerdau: mais de 120 anos de aço e a reinvenção da siderurgia brasileira

A Gerdau é a maior produtora de aço do Brasil e a maior fabricante de aços longos das Américas, mas sua origem está longe de qualquer alto-forno: a empresa nasceu em 1901 como uma fábrica de pregos em Porto Alegre. Em mais de 120 anos, passou de uma pequena metalúrgica familiar a um grupo com dezenas de usinas em vários países, tornou-se uma das maiores recicladoras de sucata da América Latina e, mais recentemente, aposta em digitalização e novos negócios para se reinventar num setor de capital intensivo e preços voláteis.

A origem: pregos em Porto Alegre

Em 1901, o imigrante alemão João Gerdau assumiu a Fábrica de Pregos Pontas de Paris, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Era um negócio simples, que dependia de arame comprado de terceiros, mas que já mostrava a vocação da família para a transformação de metais. Nas décadas seguintes, o comando passou ao filho, Hugo Gerdau, e depois ao genro deste, Curt Johannpeter, que assumiu a direção em 1946 e foi o responsável pelo salto para a siderurgia.

Esse salto aconteceu em 1948, com a aquisição da Siderúrgica Riograndense, uma pequena usina em Porto Alegre. Foi ali que a Gerdau deixou de ser apenas uma fábrica de pregos e virou uma produtora de aço. Em 1957, a empresa inaugurou uma nova usina em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, baseada em fornos elétricos que derretem sucata em vez de produzir aço a partir do minério. Esse modelo, conhecido como mini-mill, se tornaria a marca registrada da companhia.

Expansão por aquisições no Brasil

A partir da década de 1960, a Gerdau cresceu principalmente comprando usinas regionais, geralmente em dificuldades financeiras, e as reestruturando. Entre os passos mais importantes no mercado brasileiro estão:

Nesse período, Jorge Gerdau Johannpeter, filho de Curt, assumiu a presidência executiva e liderou a companhia por mais de duas décadas. Em 2018, pela primeira vez, um executivo de fora da família, Gustavo Werneck, assumiu o cargo de presidente.

Internacionalização e ajuste de rota

A primeira operação fora do Brasil veio em 1980, com a compra da Laisa, no Uruguai. Em 1989, a Gerdau chegou ao Canadá e, ao longo dos anos 1990 e 2000, avançou pelas Américas: Chile, Argentina, Estados Unidos, Colômbia, Peru, México e República Dominicana. O movimento mais importante foi nos Estados Unidos, onde a aquisição da AmeriSteel em 1999, a fusão com a Co-Steel em 2002 e a compra da Chaparral Steel em 2007, esta por mais de 4 bilhões de dólares, fizeram do grupo um dos maiores produtores de aços longos daquele país. A empresa também comprou a Sidenor, na Espanha, e entrou na Índia.

A partir de 2016, porém, a Gerdau reverteu parte dessa expansão. Vendeu os ativos na Europa e na Índia, saiu do Chile e desfez-se de parte das usinas nos Estados Unidos, concentrando-se nos mercados onde tinha escala e vantagem de custo. Hoje, as operações estão distribuídas por Brasil, Estados Unidos, Canadá, México, Argentina, Uruguai e Peru.

O que a Gerdau produz hoje

O portfólio da empresa é organizado em três grandes famílias de produtos:

A companhia também possui mineração própria em Minas Gerais, que abastece a usina de Ouro Branco, e áreas florestais de eucalipto que fornecem carvão vegetal para usinas em Minas Gerais, uma alternativa de menor emissão de carbono ao coque mineral. A maior parte do aço da Gerdau, porém, vem da reciclagem: a empresa processa milhões de toneladas de sucata por ano em seus fornos elétricos, o que a coloca entre as maiores recicladoras da América Latina.

Automação e digitalização na siderurgia

Uma usina siderúrgica é, por natureza, um ambiente de automação pesada: fornos elétricos com controle de potência, laminadores com dezenas de acionamentos sincronizados, movimentação de cargas e uma malha de sensores para temperatura, pressão e vibração. A Gerdau investiu nas últimas décadas na modernização dessas plantas, com substituição de acionamentos, novos sistemas de controle e integração dos dados de processo em plataformas corporativas.

Mais recentemente, a empresa passou a aplicar analytics e inteligência artificial para otimizar o consumo de energia nos fornos elétricos, prever a qualidade do aço a partir de dados de processo e antecipar falhas em equipamentos críticos. Em laminadores que operam continuamente e cujas paradas custam caro, a manutenção baseada em condição se tornou prioridade. Nosso tutorial sobre manutenção preditiva: por onde começar discute os fundamentos desse tipo de estratégia.

A Gerdau também criou uma unidade de novos negócios, a Gerdau Next, que reúne iniciativas como a produção de grafeno, plataformas digitais para o varejo de materiais de construção, geração de energia renovável e locação de equipamentos pesados.

Presença no mercado

A Gerdau tem ações negociadas na B3 e, desde 1999, na bolsa de Nova York. Com cerca de 30 mil funcionários, é uma das maiores empresas industriais do Brasil e uma das poucas siderúrgicas nacionais com presença relevante fora do país. No mercado interno, é a principal fornecedora de vergalhões e perfis para a construção civil, segmento que a torna sensível aos ciclos da economia.

O legado da Gerdau para a indústria brasileira tem duas faces. A primeira é o modelo de crescimento: comprar usinas problemáticas, aplicar gestão disciplinada e integrá-las a uma rede de operações. A segunda é a aposta precoce na reciclagem de sucata como base do negócio, décadas antes de a economia circular virar pauta. Numa indústria que ainda depende majoritariamente do minério, a Gerdau mostrou que é possível construir uma das maiores siderúrgicas das Américas sobre o aço que já foi usado uma vez.

Fontes e referências

Perguntas frequentes

Como a Gerdau começou?

A Gerdau começou em 1901, quando o imigrante alemão João Gerdau assumiu a Fábrica de Pregos Pontas de Paris, em Porto Alegre (RS). A entrada na siderurgia veio em 1948, com a aquisição da Siderúrgica Riograndense.

O que a Gerdau produz?

A Gerdau produz aços longos (vergalhões, fio-máquina, barras e perfis estruturais), aços especiais para a indústria automotiva e aços planos, como bobinas a quente, na usina de Ouro Branco (MG). Grande parte do aço vem da reciclagem de sucata em fornos elétricos.

A Gerdau é a maior siderúrgica do Brasil?

Sim. A Gerdau é a maior produtora de aço do Brasil e a maior produtora de aços longos das Américas, com operações no Brasil, nos Estados Unidos, no Canadá, no México, na Argentina, no Uruguai e no Peru, e cerca de 30 mil funcionários.

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