Ambev: como nasceu a maior cervejaria da América Latina
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Todo ano, executivos da indústria aguardam a publicação de três listas que ajudam a medir o tamanho e a saúde das empresas brasileiras: Melhores & Maiores, da revista Exame; Valor 1000, do jornal Valor Econômico; e Época Negócios 360°, da revista Época Negócios. Eles são citados em apresentações institucionais, em negociações com bancos e em processos de recrutamento, mas nem sempre fica claro o que cada um mede, de onde vêm os números e como uma empresa passa a figurar neles.
Este artigo descreve os três rankings de forma comparativa, com foco no que interessa a indústrias e fornecedores de tecnologia: quem organiza, quais dados são usados, como as empresas participam e o que diferencia um do outro.
Rankings empresariais são classificações periódicas de empresas segundo critérios definidos por uma publicação, geralmente com apoio de uma instituição acadêmica ou de análise financeira. Não são prêmios no sentido estrito: em vez de um júri escolher um vencedor, os dados são tratados por uma metodologia pública e o resultado é uma ordenação. Ainda assim, os organizadores destacam a empresa do ano e os líderes setoriais, o que dá ao ranking uma dimensão de reconhecimento.
Para o setor industrial, essas listas consolidam dados de balanço de centenas de empresas de capital fechado que, de outra forma, não seriam comparáveis. É por isso que servem de fonte para levantamentos como o das maiores indústrias do Brasil.
É o mais antigo dos três. A revista Exame publica a edição especial desde a década de 1970, e a lista se tornou uma referência histórica do empresariado brasileiro. Durante muitos anos, a base técnica foi desenvolvida em parceria com a Fipecafi, fundação ligada à Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, responsável por padronizar as demonstrações financeiras enviadas pelas empresas.
Em linhas gerais, o ranking funciona assim:
O que se avalia, portanto, é desempenho econômico-financeiro verificável. Fatores como inovação ou práticas de gestão não entram diretamente na classificação.
O jornal Valor Econômico lançou o anuário Valor 1000 no início dos anos 2000, com uma proposta semelhante: classificar as mil maiores empresas do país por receita líquida e apontar as melhores em cada setor. A elaboração conta com parceiros técnicos: a Serasa Experian, no tratamento e na consistência dos dados, e a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, na metodologia de avaliação.
Pontos característicos do Valor 1000:
Assim como Melhores & Maiores, o Valor 1000 depende do envio voluntário de balanços pelas empresas de capital fechado: quem não envia os dados não aparece.
Criado no início da década de 2010 pela revista Época Negócios, da Editora Globo, o Época Negócios 360° tem uma proposta diferente. Em vez de olhar só para o balanço, ele avalia as empresas em várias dimensões, com apoio técnico da Fundação Dom Cabral, escola de negócios mineira. A ideia é medir a qualidade da gestão de forma abrangente, e não apenas o porte.
As dimensões avaliadas incluem:
Cada dimensão gera uma pontuação, e a combinação define a classificação geral e os destaques setoriais. A participação exige o preenchimento de questionários detalhados, além do envio de dados financeiros, o que torna o processo mais trabalhoso para a empresa, mas também mais informativo sobre suas práticas internas. Empresas industriais com processos maduros de inovação e governança, como a WEG, costumam se sair bem nesse tipo de avaliação justamente porque ela recompensa consistência em várias frentes.
O caminho é parecido nos três casos. A cada ano, as publicações abrem um período de coleta, normalmente no primeiro semestre, com prazo para o envio das demonstrações financeiras do exercício anterior e, no caso do Época Negócios 360°, para a resposta aos questionários. Companhias abertas tendem a ser incluídas automaticamente com base em dados públicos; as demais se cadastram na plataforma da publicação ou do parceiro técnico. Não há taxa para figurar na lista. Os resultados são divulgados no segundo semestre, em edição especial e em evento de premiação.
Para uma indústria, aparecer nesses rankings tem efeitos práticos. Fornecedores usam a posição para comprovar porte em licitações e cadastros de clientes. Bancos e investidores consultam os indicadores para comparar empresas do mesmo setor. Candidatos a vagas usam as listas como referência de empregadores. E a imprensa especializada recorre a elas para contextualizar notícias sobre investimentos, fusões e expansões.
Há também um ganho interno: preparar os dados obriga a empresa a organizar suas demonstrações no padrão de mercado e, no caso do Época Negócios 360°, a documentar práticas que muitas vezes existem, mas não estão formalizadas.
Os três rankings medem coisas diferentes. Melhores & Maiores e Valor 1000 são termômetros de porte e desempenho financeiro, com longas séries históricas. O Época Negócios 360° tenta capturar a qualidade da gestão em múltiplas dimensões. Nenhum deles substitui uma análise própria, mas, lidos em conjunto, formam o retrato mais consistente disponível sobre as grandes empresas brasileiras, incluindo a indústria. Para quem ainda não participa, o primeiro passo é acompanhar os prazos anuais de coleta e preparar os dados com antecedência.
Os dois classificam as maiores empresas do país por receita, com base em demonstrações financeiras. Melhores & Maiores é da revista Exame e existe desde os anos 1970; Valor 1000 é do jornal Valor Econômico e começou nos anos 2000. Cada um usa metodologia e parceiros técnicos próprios.
Diferentemente dos rankings puramente financeiros, o Época Negócios 360° combina desempenho financeiro com dimensões como governança, pessoas, inovação, sustentabilidade e visão de futuro, com apoio técnico da Fundação Dom Cabral.
Enviando demonstrações financeiras e respondendo aos questionários das publicações dentro do prazo anual. Empresas de capital aberto costumam ser incluídas a partir de dados públicos; as demais precisam se cadastrar e fornecer os dados voluntariamente.
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