Ambev: como nasceu a maior cervejaria da América Latina
A história da Ambev, criada em 1999 pela fusão de Brahma e Antarctica: a formação da AB InBev, as marcas, as fábricas e a automação das linhas de envase.

A Usiminas é a principal fabricante de aços planos do Brasil e a origem de uma cidade inteira: Ipatinga, no leste de Minas Gerais, cresceu em torno da usina inaugurada em 1962. Criada em 1956 como um projeto de Estado, com capital brasileiro e um consórcio de siderúrgicas japonesas, a empresa foi a primeira a ser privatizada no país, em 1991, e hoje produz o aço que vira carroceria de automóvel, geladeira, estrutura de edifício e chapa de máquina agrícola.
A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A. foi constituída em 1956, no início do governo de Juscelino Kubitschek, quando o Brasil buscava reduzir a dependência de aço importado e ampliar a produção para além da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda. O arranjo societário era inédito: o governo de Minas Gerais, o governo federal e investidores privados dividiram o capital com um consórcio de empresas japonesas reunidas na Nippon Usiminas, liderado pelo grupo que mais tarde daria origem à Nippon Steel.
Os japoneses trouxeram tecnologia, engenheiros e método. Centenas de técnicos brasileiros foram treinados no Japão, e a cultura de padronização e disciplina operacional que marcou a siderurgia japonesa do pós-guerra foi implantada em Minas desde o primeiro dia.
A localização foi escolhida com lógica industrial: o minério de ferro do Quadrilátero Ferrífero chegava pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, que também levava o aço acabado ao porto no Espírito Santo. O sítio ficava no distrito de Ipatinga, então pertencente a Coronel Fabriciano, na região que passaria a se chamar Vale do Aço.
A usina foi inaugurada em outubro de 1962, com a partida do primeiro alto-forno. Era uma planta integrada completa, com coqueria, sinterização, alto-forno, aciaria e laminação, capaz de transformar minério e carvão em bobinas e chapas. Ipatinga tornou-se município em 1964 e cresceu no ritmo da usina: bairros planejados, hospital, escolas e uma população que hoje passa de 200 mil habitantes.
Nas décadas de 1960 e 1970, sucessivas etapas de expansão levaram a capacidade inicial, de algumas centenas de milhares de toneladas por ano, para a casa dos milhões de toneladas. Novos altos-fornos, aciaria a oxigênio e laminadores de tiras a quente e a frio consolidaram a Usiminas como a referência nacional em aços planos de qualidade, com uso intensivo na indústria automotiva que se instalava no país.
Em outubro de 1991, a Usiminas foi a primeira empresa vendida pelo Programa Nacional de Desestatização, em leilão na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. O caso virou modelo para as privatizações seguintes do setor, entre elas a da própria CSN.
Dois anos depois, a empresa assumiu o controle da Cosipa, a Companhia Siderúrgica Paulista, com usina em Cubatão (SP), e a incorporou totalmente em 2009. Em 2015, diante da crise do setor, a Usiminas desativou a área primária de Cubatão (altos-fornos e aciaria) e manteve ali apenas a laminação, que passou a processar placas vindas de Ipatinga.
O grupo de controle também mudou. A Nippon Steel seguiu como sócia desde a fundação e, em 2012, a Ternium, siderúrgica do grupo ítalo-argentino Techint, entrou no bloco de controle. Em 2023, a Ternium ampliou sua participação e passou a liderar o grupo controlador.
A Usiminas é uma siderúrgica de aços planos, o que a diferencia da Gerdau, concentrada em aços longos. A usina de Ipatinga tem capacidade da ordem de 5 milhões de toneladas de aço bruto por ano e entrega:
O grupo inclui ainda a Mineração Usiminas, que extrai minério de ferro na região de Serra Azul (MG), e a Soluções Usiminas, rede de centros de serviço que corta, estampa e distribui o aço para clientes de menor porte. A indústria automotiva é o principal mercado, seguida por linha branca, construção civil, máquinas agrícolas, óleo e gás e distribuição.
Uma usina integrada é, na prática, um dos ambientes mais instrumentados da indústria. Em Ipatinga, o alto-forno é monitorado por centenas de sensores de temperatura, pressão e composição de gases, e modelos matemáticos ajustam a carga de minério e coque para manter a qualidade do gusa. A aciaria controla o sopro de oxigênio por análise contínua, e o lingotamento monitora o nível de aço no molde por sensores eletromagnéticos.
Nos laminadores a quente e a frio, a espessura da tira é medida por sensores de raios X e corrigida em milissegundos pelo controle automático de bitola. Sistemas de inspeção superficial com câmeras e visão computacional classificam defeitos em bobinas que passam a dezenas de metros por segundo. Toda essa camada de controle conversa com sistemas de gestão de produção, que rastreiam cada bobina do pedido à expedição.
A empresa mantém um centro de pesquisa e desenvolvimento em Ipatinga, dedicado a novos aços e a processos, e concluiu na década de 2020 uma grande reforma de um de seus altos-fornos, com instrumentação e controle modernizados. Numa planta em que um laminador parado custa milhões por dia, a manutenção baseada em dados deixou de ser diferencial. Quem quer entender o primeiro passo desse tipo de programa pode começar pelo nosso guia de manutenção preditiva.
A Usiminas tem ações negociadas na B3 desde antes da privatização e mais de 10 mil empregados diretos. Sua importância regional é difícil de exagerar: o Vale do Aço, que reúne Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo e Santana do Paraíso, é um dos polos siderúrgicos do país, e boa parte da economia local depende da usina e de seus fornecedores.
No plano nacional, a empresa ajudou a viabilizar a indústria automotiva brasileira ao oferecer aço plano de qualidade fabricado no país, formou gerações de engenheiros metalurgistas e serviu de laboratório para o modelo de privatização dos anos 1990.
Seis décadas depois, a Usiminas continua fazendo o que foi criada para fazer: transformar minério de Minas em aço para a indústria de transformação. O desafio agora é fazer isso com menos carbono, mais automação e a mesma disciplina que os engenheiros japoneses ensinaram em Ipatinga nos anos 1960.
A Usiminas foi constituída em 1956, em Minas Gerais, como uma sociedade entre o governo brasileiro, investidores privados e um consórcio de empresas japonesas liderado pelo grupo que hoje é a Nippon Steel. A usina de Ipatinga (MG) foi inaugurada em 1962.
A Usiminas produz aços planos: placas, bobinas laminadas a quente e a frio, chapas grossas e aços galvanizados, usados principalmente pela indústria automotiva, por fabricantes de eletrodomésticos, pela construção civil e pelo setor de máquinas. O grupo também tem uma mineradora de minério de ferro e centros de serviço de aço.
Sim. Em outubro de 1991 a Usiminas foi a primeira empresa vendida pelo Programa Nacional de Desestatização. Hoje seu grupo de controle é formado pela Ternium, do grupo Techint, e pela japonesa Nippon Steel, e as ações são negociadas na B3.
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