Ambev: como nasceu a maior cervejaria da América Latina
A história da Ambev, criada em 1999 pela fusão de Brahma e Antarctica: a formação da AB InBev, as marcas, as fábricas e a automação das linhas de envase.

Boa parte dos motores a diesel que movem caminhões, tratores e máquinas de construção pelo mundo tem um componente saído de Joinville, em Santa Catarina. A Tupy, fundada em 1938 para fabricar conexões de tubulação, tornou-se uma das maiores produtoras de blocos e cabeçotes de motor em ferro fundido do planeta, com fábricas no Brasil, no México e em Portugal e clientes em mais de 40 países. A história da empresa acompanha a da industrialização brasileira e ajuda a entender por que a fundição, atividade pouco visível para o público, é um elo estratégico da cadeia automotiva.
A Tupy começou como empresa familiar em 1938, fundada por Albano Schmidt, Hermann Metz e Arno Schwarz, todos descendentes de imigrantes europeus que ajudaram a colonizar Joinville. A fundição foi instalada inicialmente no centro da cidade e produzia conexões de ferro fundido para tubulações, um produto que até então só chegava ao Brasil por importação.
A escolha do produto não foi casual. Conexões exigem fundição de precisão e tratamento térmico, e a demanda por elas crescia com a urbanização e as redes de água e gás. Ao dominar esse processo, a empresa construiu a base metalúrgica que mais tarde permitiria fabricar peças muito mais complexas.
Nas décadas seguintes a Tupy ampliou o catálogo com produtos derivados do mesmo domínio técnico, como perfis de ferro fundido e granalha, e cresceu junto com a indústria catarinense, transformando Joinville num dos principais polos metalmecânicos do país.
O marco decisivo veio em 1975. Com a construção de uma nova unidade no distrito industrial de Joinville, a Tupy passou a fabricar blocos de motor em ferro fundido, entrando de vez na cadeia automotiva num momento em que o Brasil consolidava sua indústria de caminhões e veículos.
A partir daí, o bloco e o cabeçote de motor se tornaram o centro do negócio. São peças de alta complexidade: exigem moldes com dezenas de machos de areia para formar galerias de água e óleo, controle rigoroso da composição do ferro e usinagem de precisão. Poucas fundições no mundo conseguem fornecê-las em volume e com a qualidade exigida pelas montadoras.
Nos anos 1990, a empresa passou por reestruturação societária e deixou o controle familiar, tendo hoje entre seus principais acionistas fundos de pensão e o BNDES, com ações negociadas na bolsa brasileira.
A expansão para fora do Brasil aconteceu em duas etapas principais:
Além dessas, a empresa opera a planta de Mauá, na Grande São Paulo. Com o conjunto, a Tupy passou a ter presença industrial na América do Sul, na América do Norte e na Europa, e um quadro de pessoal na casa das dezenas de milhares.
Em 2022, a companhia também comprou a MWM, fabricante de motores e geradores, ampliando o escopo para além da fundição e entrando no negócio de motores completos, geração de energia e serviços.
O portfólio atual gira em torno de componentes estruturais para motores e de produtos derivados da fundição:
Um diferencial técnico é o ferro fundido vermicular, conhecido pela sigla CGI, material mais resistente que o ferro cinzento e que permite blocos mais leves e motores com maior pressão de combustão. A Tupy é uma das maiores produtoras mundiais de peças nesse material.
Fundição é um processo em que a automação faz diferença direta na qualidade. A composição química do metal, a temperatura de vazamento, a preparação da areia e a montagem dos machos precisam ser controladas com precisão para que um bloco de motor saia sem porosidade ou variação dimensional.
Nas plantas da Tupy, isso se traduz em linhas de moldagem automáticas, manuseio robotizado de machos e peças, sistemas de monitoramento de fornos e de análise de metal em tempo real, além de usinagem CNC integrada à fundição, para entregar peças prontas para montagem. A empresa também investe em digitalização do chão de fábrica e em ferramentas de dados para reduzir refugo e antecipar falhas de equipamento.
A escala reforça esse esforço: com fornos, linhas de moldagem e centros de usinagem operando de forma contínua, a disponibilidade dos equipamentos é decisiva. É o tipo de operação em que a manutenção preditiva se paga rapidamente, e em que a escolha correta de acionamentos, tema do tutorial Como escolher inversor de frequência, afeta tanto o consumo de energia quanto a estabilidade do processo.
A Tupy fornece para fabricantes de motores e montadoras de caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e de construção, com clientes em mais de 40 países. A maior parte da receita vem do exterior, o que faz da empresa uma das grandes exportadoras da indústria brasileira de transformação. A demanda está concentrada em veículos comerciais e equipamentos fora de estrada, segmentos em que o motor a diesel deve permanecer relevante por mais tempo que nos automóveis de passeio.
A transição energética é ao mesmo tempo risco e oportunidade. A empresa tem trabalhado em componentes para motores movidos a combustíveis alternativos, como etanol, biometano e hidrogênio, e em peças estruturais para outras aplicações, buscando reduzir a dependência do motor a diesel convencional.
A Tupy é um exemplo de como uma indústria de base, pouco visível para o consumidor final, pode se tornar estratégica. De uma fundição de conexões no centro de Joinville, a empresa chegou a fornecer o coração dos motores de caminhões e máquinas em vários continentes, comprando fábricas de concorrentes tradicionais no México e na Europa.
O legado técnico está no domínio da metalurgia do ferro fundido e da produção de peças complexas em escala. O legado econômico está em Joinville, cidade que a empresa ajudou a transformar num dos principais polos metalmecânicos do Brasil.
A Tupy foi fundada em 1938 em Joinville (SC) por Albano Schmidt, Hermann Metz e Arno Schwarz. A fundição começou produzindo conexões de ferro fundido para tubulações, item até então importado pelo Brasil.
A principal atividade é a produção de blocos e cabeçotes de motor em ferro fundido, fornecidos a fabricantes de caminhões, máquinas agrícolas, equipamentos de construção e veículos leves. A empresa também produz conexões, perfis, componentes hidráulicos e motores.
No Brasil, em Joinville (SC), Mauá (SP) e Betim (MG); no México, em Saltillo e Ramos Arizpe; e em Portugal, em Aveiro. As unidades mexicanas foram adquiridas em 2012 e as de Betim e Aveiro vieram com a compra da Teksid, em 2023.
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