Ambev: como nasceu a maior cervejaria da América Latina
A história da Ambev, criada em 1999 pela fusão de Brahma e Antarctica: a formação da AB InBev, as marcas, as fábricas e a automação das linhas de envase.

Automação industrial no Brasil não avança no mesmo ritmo em todos os setores. Alguns investem por obrigação, como refinarias e petroquímicas, onde não existe operação sem sistema de controle. Outros investem por pressão competitiva, como montadoras e fábricas de alimentos, que precisam de escala e repetibilidade. E há setores que só recentemente passaram a ver robôs e sensores como alternativa à mão de obra escassa.
Este artigo lista os setores que mais investem em automação no Brasil, com base nos dados disponíveis de entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), o IBGE e a Federação Internacional de Robótica (IFR). Onde não há número consolidado, o texto qualifica a informação em vez de estimar.
O setor automotivo é, no Brasil e no mundo, o maior comprador de robôs industriais. Os relatórios anuais da IFR mostram que montadoras e autopeças respondem pela maior parte das instalações no país, concentradas em solda, pintura e montagem final. Fábricas como as da Stellantis em Betim e Goiana, da Volkswagen em Taubaté e da Toyota em Sorocaba operam com centenas de robôs cada. A cadeia de autopeças acompanha, com investimento pesado em células de usinagem, estamparia automatizada e controle de qualidade por visão.
A indústria de processo contínuo é a que tem maior intensidade de automação, por uma razão simples: não há como operar uma refinaria ou uma planta petroquímica sem sistema digital de controle distribuído (SDCD), instrumentação de campo e sistemas instrumentados de segurança. A Petrobras, sozinha, é a maior compradora de automação de processo do Brasil, com plataformas do pré-sal cada vez mais operadas remotamente. Braskem, Unigel e as demais petroquímicas seguem a mesma lógica, com foco em confiabilidade, cibersegurança e otimização avançada.
Alimentos e bebidas é o maior setor da indústria de transformação brasileira. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), o faturamento do setor ficou em torno de R$ 1,3 trilhão em 2024, e ele é também o maior empregador industrial do país. Frigoríficos como JBS, Marfrig e BRF automatizaram desossa, embalagem e paletização; cervejarias como Ambev e Heineken operam linhas de envase de alta velocidade com manutenção preditiva; laticínios, moinhos e fábricas de processados investem em rastreabilidade e controle de receita. É um dos mercados mais ativos para robôs de paletização e sistemas de embalagem.
A mineração brasileira é um dos setores com maior investimento em automação por unidade produtiva. A Vale foi pioneira no país no uso de caminhões autônomos, primeiro na mina de Brucutu (MG) e depois em Carajás (PA), e opera centros de controle que gerenciam remotamente minas, ferrovias e portos. Britagem, moagem, flotação e pelotização são processos altamente instrumentados, e a segurança de barragens, após Mariana e Brumadinho, gerou uma onda de investimento em monitoramento em tempo real.
As fábricas de celulose são plantas de processo contínuo de grande porte, comparáveis a refinarias em grau de automação. Suzano, Klabin, Eldorado, Bracell e CMPC operam com SDCDs integrados, controle avançado de processo e manutenção baseada em condição. Os projetos recentes, como a nova linha da Suzano em Ribas do Rio Pardo (MS) e a expansão da Klabin em Ortigueira (PR), estão entre os maiores contratos de automação de processo do país nos últimos anos.
As usinas de açúcar e etanol formaram um polo de automação próprio no interior de São Paulo, especialmente em Sertãozinho e Ribeirão Preto, onde nasceu a Smar. O setor foi um dos primeiros no Brasil a adotar instrumentação digital em larga escala, e hoje investe em automação de moendas, caldeiras, destilarias e fermentação, além de agricultura de precisão no campo. A Raízen e os grandes grupos do Centro-Sul puxam a demanda.
Siderúrgicas como Gerdau, CSN, Usiminas e ArcelorMittal operam altos-fornos, aciarias e laminadores com controle de processo em nível 1 e nível 2 desde os anos 1990 e vêm investindo em digitalização, análise de dados e robôs para tarefas perigosas, como amostragem em aciaria. Na metalurgia e fundição, empresas como a Tupy, em Joinville, automatizaram moldagem, vazamento e acabamento para atender às exigências de montadoras globais. A história da Gerdau mostra como esse processo se deu numa das maiores do setor.
A indústria farmacêutica investe em automação por exigência regulatória: as boas práticas de fabricação da Anvisa demandam rastreabilidade, controle de ambiente e registros eletrônicos. Grandes laboratórios nacionais como EMS, Eurofarma e Aché e multinacionais instaladas no país modernizaram linhas de envase, embalagem e serialização. O químico fino e os cosméticos, com Natura e Boticário, seguem padrão semelhante, com forte demanda por sistemas de execução de manufatura (MES).
O Polo Industrial de Manaus e as fábricas de eletrônicos do interior paulista, como as de Campinas, Jaguariúna e Hortolândia, concentram linhas de montagem de placas com máquinas de inserção automática, inspeção óptica e teste automatizado. É um setor de margens apertadas e alta competição com importados, em que a automação de montagem final e de logística interna tem crescido para compensar custos.
Embora não seja indústria de transformação, a logística tornou-se um dos mercados que mais crescem para robôs móveis, transelevadores e sistemas de separação automática no Brasil. Varejistas como Mercado Livre, Amazon e Magazine Luiza montaram centros de distribuição com esteiras, sorters e robôs autônomos, e a indústria segue o caminho em armazéns de produto acabado. A ABIMAQ inclui esses equipamentos no segmento de movimentação e armazenagem, um dos de maior crescimento recente na produção nacional de máquinas.
As sondagens da CNI sobre Indústria 4.0 mostram uma adoção de tecnologias digitais que cresce a cada edição, mas ainda concentrada nas grandes empresas e nos setores de processo. Entre as pequenas e médias, a automação avança de forma pontual, começando por sistemas de supervisão, sensores e retrofit de máquinas. O guia Indústria 4.0 na prática: por onde começar trata desse cenário.
Dois fatores devem sustentar o investimento nos próximos anos. O primeiro é a escassez de mão de obra qualificada, que empurra fábricas para a automação mesmo em setores intensivos em trabalho, como têxtil e calçados. O segundo é a queda do custo de robôs colaborativos, sensores e sistemas de visão, que aproxima essas tecnologias de empresas que antes não tinham escala para justificar o investimento. Para quem quer começar pelo lado da manutenção, o tutorial sobre manutenção preditiva é um bom ponto de partida.
O setor automotivo. Segundo a Federação Internacional de Robótica (IFR), montadoras e autopeças respondem pela maior parte dos robôs instalados no Brasil, como acontece na maioria dos países industrializados.
Alimentos e bebidas. Segundo a ABIA, o setor faturou cerca de R$ 1,3 trilhão em 2024 e é o maior empregador da indústria de transformação, o que o torna um dos principais mercados de automação do país.
Porque refinarias, petroquímicas, fábricas de celulose e usinas operam de forma contínua e com riscos de segurança elevados. Sistemas de controle, instrumentação e intertravamento são pré-requisito para operar, não apenas ganho de produtividade.
A história da Ambev, criada em 1999 pela fusão de Brahma e Antarctica: a formação da AB InBev, as marcas, as fábricas e a automação das linhas de envase.
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