Ambev: como nasceu a maior cervejaria da América Latina
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Quase todo caminhão de carga que roda nas estradas brasileiras leva atrás de si um semirreboque, e boa parte deles sai de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. A cidade se tornou o principal polo de implementos rodoviários do país, e a Randon está no centro dessa história. O que começou em 1949 como uma oficina mecânica dos irmãos Randon virou um grupo industrial com dezenas de fábricas, presença em vários países e um portfólio que vai de semirreboques a materiais de fricção, freios, eixos e peças fundidas. Este artigo conta como isso aconteceu.
A Randon nasceu em 1949, quando Raul Anselmo Randon e seu irmão Hercílio abriram uma oficina mecânica em Caxias do Sul, dedicada a consertos e à fabricação de peças. A cidade, colonizada por imigrantes italianos no fim do século 19, já tinha uma tradição de pequenas metalúrgicas e de fabricantes de carroças e carrocerias, o que ajudou a formar mão de obra e fornecedores.
Nos primeiros anos a empresa fabricava freios a ar para caminhões e outros componentes. Na década de 1950, passou a produzir reboques e semirreboques, quando o país vivia a expansão da malha rodoviária e o transporte de carga migrava dos trilhos para as estradas. Foi nesse produto que a Randon encontrou seu caminho.
Raul Randon assumiu a condução do negócio e permaneceu à frente do grupo por décadas, até sua morte, em 2018. Ele é lembrado pela decisão de investir em tecnologia própria e pela criação do modelo de joint ventures que marcaria a expansão da companhia.
Nas décadas de 1960 e 1970, a Randon cresceu com a economia brasileira e diversificou. Chegou a fabricar caminhões fora de estrada e veículos especiais, por meio da Randon Veículos, e abriu o capital na bolsa nos anos 1970. A recessão dos anos 1980 foi um período difícil, e a empresa passou por reestruturação antes de retomar o crescimento.
A partir dos anos 1980 e 1990, o grupo adotou uma estratégia que se tornaria sua marca: formar joint ventures com empresas estrangeiras detentoras de tecnologia, em Caxias do Sul, para produzir componentes que antes eram importados. Entre elas:
Em 1996, a Randon incorporou a Fras-le, fabricante de materiais de fricção (lonas e pastilhas de freio) fundada em 1954 em Caxias do Sul. A Fras-le se tornaria o principal braço de autopeças do grupo, com fábricas no Brasil e no exterior e uma série de aquisições nos anos seguintes, entre elas a Nakata, tradicional marca brasileira de componentes de suspensão e direção.
O grupo, hoje chamado Randoncorp, se organiza em algumas divisões principais:
A receita anual do grupo está na casa dos bilhões de reais, e a Randon Implementos é uma das maiores fabricantes de semirreboques do mundo em volume de produção.
Semirreboque parece um produto simples, mas envolve estruturas soldadas de grande porte, chassis que precisam suportar dezenas de toneladas por milhões de quilômetros e uma variedade enorme de configurações. As fábricas da Randon em Caxias do Sul concentram células de solda robotizada, corte a laser, pintura automatizada e linhas de montagem organizadas para lidar com essa customização. É um exemplo claro de onde os robôs industriais de solda ganharam espaço na indústria de veículos pesados no Brasil.
O grupo também mantém o Centro Tecnológico Randon, em Farroupilha (RS), um campo de provas com pistas de teste, laboratórios de durabilidade e ensaios de freios e componentes, aberto também a montadoras e fornecedores. Poucos fabricantes de implementos no mundo dispõem de uma estrutura de testes desse porte.
Nos últimos anos, a Randon investiu em pesquisa aplicada e em iniciativas de inovação aberta, com foco em materiais mais leves, telemetria embarcada nos implementos, componentes para veículos elétricos e digitalização das fábricas. Programas de manutenção preditiva em prensas, robôs e linhas de pintura acompanham essa transição, num padrão semelhante ao de outras grandes indústrias da Serra Gaúcha.
A Randon lidera o mercado brasileiro de semirreboques e exporta para dezenas de países, com destaque para América do Sul, África e Oriente Médio. A Fras-le vende materiais de fricção para montadoras e para o mercado de reposição em mais de cem países, com fábricas no Brasil, na Argentina, nos Estados Unidos, na China e na Europa. As ações da Randon e da Fras-le são negociadas na B3.
Em Caxias do Sul, a Randon compartilha a cidade com a Marcopolo, encarroçadora de ônibus, e com centenas de metalúrgicas e fornecedores. Esse aglomerado faz da Serra Gaúcha um dos principais polos de veículos comerciais e autopeças do país, tema que aparece com frequência nas discussões sobre os maiores polos industriais do Brasil.
O legado da Randon está no modelo: uma indústria do interior que cresceu produzindo o que o país importava, formou parcerias tecnológicas em vez de apenas comprar licenças e construiu uma cadeia inteira de fornecedores ao redor de si. Raul Randon também deixou o Instituto Elisabetha Randon, criado pela família para ações sociais e educacionais em Caxias do Sul. Para quem estuda automação e manufatura no Brasil, a Serra Gaúcha continua sendo um dos laboratórios mais interessantes do país, e a Randon é uma de suas principais referências.
A Randon começou em 1949, em Caxias do Sul (RS), como uma pequena oficina mecânica aberta pelos irmãos Raul Anselmo Randon e Hercílio Randon. Raul conduziu a empresa por décadas e a transformou num grupo industrial de capital aberto.
O grupo fabrica implementos rodoviários (semirreboques, reboques e carrocerias), autopeças como materiais de fricção, freios, suspensões, eixos e engates, além de peças fundidas. Também atua em serviços financeiros e tecnologia voltados ao transporte.
Sim. A Fras-le, fabricante de lonas e pastilhas de freio fundada em 1954 em Caxias do Sul, foi incorporada ao grupo Randon em 1996 e hoje é a principal empresa da divisão de autopeças, com fábricas e marcas no Brasil e no exterior.
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