Ambev: como nasceu a maior cervejaria da América Latina
A história da Ambev, criada em 1999 pela fusão de Brahma e Antarctica: a formação da AB InBev, as marcas, as fábricas e a automação das linhas de envase.

A Klabin é a mais antiga produtora de papel em atividade no Brasil e, hoje, a maior fabricante e exportadora de papéis para embalagem do país. A trajetória começa em 1899, numa casa comercial de importação em São Paulo, e chega ao século 21 com uma das maiores fábricas de celulose e papel da América Latina, a unidade Puma, em Ortigueira (PR). Entre um ponto e outro há mais de 120 anos de florestas plantadas, fábricas integradas e aposta constante em escala e tecnologia.
A empresa nasceu em 1899 como Klabin Irmãos & Cia, fundada na cidade de São Paulo pelos irmãos Klabin, imigrantes vindos da Lituânia, e por Miguel Lafer, parente da família. O negócio inicial era comercial: importação de papel, artigos de papelaria e material de escritório para atender uma cidade que crescia com o café e a industrialização incipiente.
A entrada na produção veio aos poucos. Nas primeiras décadas do século 20, o grupo passou a operar fábricas de papel em São Paulo e, em 1934, deu o passo decisivo ao criar as Indústrias Klabin do Paraná de Celulose, com a compra da Fazenda Monte Alegre, na região de Telêmaco Borba (PR). Ali seria erguida a primeira fábrica integrada de celulose e papel do Brasil, em operação a partir da década de 1940. O modelo, com floresta própria, celulose e papel no mesmo complexo, virou a base de tudo o que a empresa faria depois.
A fábrica de Monte Alegre transformou uma região de mata e campos do Paraná num polo industrial e deu origem ao município de Telêmaco Borba. A partir dela, a Klabin diversificou produtos e se espalhou pelo país:
Nesse percurso, a Klabin manteve o controle familiar e abriu o capital, com ações negociadas na B3, o que financiou os ciclos de investimento mais pesados.
A unidade Puma é o maior investimento da história da empresa e um dos maiores projetos industriais privados do Brasil nos últimos anos. Localizada em Ortigueira, no centro-leste do Paraná, foi construída para produzir cerca de 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano, com uma característica pouco comum no setor: a mesma planta fabrica celulose de fibra curta (eucalipto), de fibra longa (pínus) e fluff, a fibra usada em fraldas e absorventes. A linha de fibra longa e fluff colocou a Klabin entre os poucos produtores desse tipo de celulose no Hemisfério Sul.
O Puma II, concluído entre 2021 e 2023, adicionou ao complexo duas máquinas de papel, uma de kraftliner, papel de fibra virgem usado em caixas de papelão ondulado, e outra de papel-cartão, matéria-prima de embalagens de alimentos e bebidas. Somadas, acrescentam algo próximo de 900 mil toneladas anuais de papel. O projeto, orçado em mais de uma dezena de bilhões de reais, reforçou a integração: a celulose produzida no local alimenta as máquinas de papel, e parte do papel abastece as fábricas de embalagem da própria empresa.
A unidade também é autossuficiente em energia: gera excedente de eletricidade a partir da biomassa e do licor negro, subproduto do cozimento da madeira queimado na caldeira de recuperação, e exporta o excedente para a rede.
O portfólio da empresa está organizado em torno de fibras e embalagens:
Toda essa cadeia começa nas florestas plantadas de pínus e eucalipto, que somam centenas de milhares de hectares, com áreas de conservação intercaladas aos plantios. A empresa mantém mais de 20 unidades industriais no Brasil, em estados como Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Amazonas, e uma unidade de sacos na Argentina; emprega dezenas de milhares de pessoas e figura entre as maiores companhias industriais do país, como mostra o ranking das maiores indústrias do Brasil.
Uma fábrica de celulose moderna é, essencialmente, um grande processo contínuo controlado por computador. Em Ortigueira, o cozimento da madeira, o branqueamento, a secagem da celulose, a caldeira de recuperação e as máquinas de papel operam integrados a sistemas de controle distribuído, com milhares de malhas de controle supervisionadas a partir de salas de controle centralizadas. As máquinas de papel dependem de medição contínua de gramatura, umidade e espessura para manter a folha dentro da especificação.
A empresa também investe em manutenção baseada em condição, com monitoramento de vibração e temperatura em equipamentos rotativos, para planejar paradas e reduzir perdas de produção; quem quer entender como essa abordagem começa na prática pode ler o tutorial sobre manutenção preditiva. Na área florestal, a Klabin usa mapeamento e dados de campo para planejar colheita e transporte, e mantém um centro de tecnologia dedicado a fibras, embalagens e melhoramento de espécies.
A Klabin ajudou a criar a indústria brasileira de papel e celulose antes mesmo de ela existir como setor organizado. Foi pioneira no modelo de fábrica integrada com floresta própria, deu origem a um município no Paraná e, mais de um século depois, repetiu a fórmula em Ortigueira, com escala e tecnologia muito maiores. É um dos melhores exemplos de como automação, integração energética e manejo florestal se combinam num negócio de capital intensivo e ciclos longos.
A Klabin foi fundada em 1899, na cidade de São Paulo, pelos irmãos Klabin e por Miguel Lafer, com o nome Klabin Irmãos & Cia. No início, o negócio era a importação e o comércio de papel e artigos de papelaria; a produção própria veio nas décadas seguintes.
A unidade Puma, em Ortigueira (PR), é a maior fábrica da Klabin. Inaugurada em 2016, produz celulose de fibra curta, fibra longa e fluff. Com o projeto Puma II, concluído entre 2021 e 2023, ganhou duas máquinas de papel para embalagem, o kraftliner e o papel-cartão.
A Klabin produz celulose de mercado, papéis para embalagem (kraftliner e papel-cartão), caixas de papelão ondulado e sacos industriais. É a maior produtora e exportadora de papéis para embalagem do Brasil e mantém mais de 20 unidades industriais no país, além de uma na Argentina.
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