Ambev: como nasceu a maior cervejaria da América Latina
A história da Ambev, criada em 1999 pela fusão de Brahma e Antarctica: a formação da AB InBev, as marcas, as fábricas e a automação das linhas de envase.

Abra uma geladeira em qualquer lugar do mundo e há uma boa chance de que o compressor no fundo dela tenha sido projetado em Joinville, em Santa Catarina. A Embraco nasceu em 1971 para substituir compressores importados na indústria brasileira de refrigeradores e, em poucas décadas, tornou-se uma das maiores fabricantes mundiais de compressores herméticos, com fábricas em quatro continentes. Passou pelo controle da Whirlpool e, desde 2019, pertence ao grupo japonês Nidec. É um dos casos mais claros de indústria brasileira que venceu no exterior com engenharia própria.
A Empresa Brasileira de Compressores S.A. foi fundada em 1971 em Joinville, cidade que já era um polo metalmecânico consolidado. Os fundadores foram fabricantes de refrigeradores, entre eles a Consul, também de Joinville, além da Springer e da Prosdócimo. O objetivo era claro: produzir no Brasil o compressor hermético, o coração da geladeira, que na época era importado e sujeito a restrições cambiais e a longos prazos de entrega.
A fábrica começou a operar em 1974, com tecnologia licenciada da dinamarquesa Danfoss. Nos primeiros anos a Embraco foi essencialmente uma montadora de um projeto estrangeiro. A virada veio na década de 1980, quando a empresa decidiu investir em pesquisa e desenvolvimento próprios, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina, e passou a projetar seus compressores. Essa decisão é considerada o fator que permitiu à companhia competir no exterior, e não apenas substituir importações.
Ainda nos anos 1970, a Brasmotor, holding que controlava a Consul e a Brastemp, tornou-se a principal acionista da Embraco. A americana Whirlpool, que já era sócia da Brasmotor, assumiu o controle do grupo nos anos 1990, e com ele a Embraco passou a integrar uma das maiores fabricantes de eletrodomésticos do mundo.
Foi também na década de 1990 que a Embraco se internacionalizou. A cronologia da expansão inclui:
No Brasil, além de Joinville, a empresa instalou uma fábrica em Itaiópolis, no planalto norte catarinense. Com isso, a Embraco passou a produzir nos três grandes mercados de eletrodomésticos, Américas, Europa e Ásia, sempre com o centro de engenharia em Joinville.
Em 2018, a Whirlpool anunciou a venda da Embraco ao grupo japonês Nidec, fabricante de motores elétricos, por cerca de 1 bilhão de dólares. A operação foi concluída em 2019, após a análise das autoridades de concorrência. Desde então a empresa opera como Nidec Global Appliance, mantendo a marca Embraco nos produtos e a sede da unidade de negócios em Joinville.
Para a Nidec, a compra ampliou a presença no setor de refrigeração e trouxe uma carteira de compressores de velocidade variável, tecnologia em que a Embraco era pioneira. Para a operação brasileira, significou a entrada em um grupo com forte presença em motores para automóveis, robótica e eletrodomésticos.
O portfólio é centrado em compressores herméticos, aqueles em que motor e mecanismo ficam selados numa carcaça de aço. As principais linhas atendem:
A tecnologia mais associada à marca é o compressor de velocidade variável, comercializado desde o fim dos anos 1990. Em vez de ligar e desligar em ciclos, o compressor ajusta a rotação à carga térmica, com ganhos de eficiência energética que a empresa costuma situar acima de 30% em comparação com um modelo de velocidade fixa. O princípio é o mesmo que fez o inversor de frequência se espalhar pela indústria: variar a velocidade do motor em vez de operar sempre em rotação nominal.
A Embraco construiu sua reputação em cima de pesquisa. O laboratório de Joinville é um dos maiores centros de desenvolvimento de compressores do mundo, com bancadas de teste acústico, câmaras climáticas e ensaios de vida útil que simulam décadas de uso. A empresa acumula centenas de patentes e figura com frequência entre as brasileiras que mais depositam pedidos de patente no país.
Na fábrica, o produto exige precisão de mecânica fina: pistões, cilindros e virabrequins são usinados com tolerâncias de poucos micrômetros, e a montagem envolve linhas altamente automatizadas, com robôs, inspeção por visão e rastreabilidade unitária. A escala ajuda a explicar o investimento: são dezenas de milhões de compressores por ano, e um defeito de campo em um produto que deve durar mais de dez anos custa caro. Com isso, a empresa tornou-se um dos exemplos de manufatura avançada mais citados em Santa Catarina.
A eficiência energética virou o eixo do negócio. Regulamentações de consumo de energia em geladeiras, nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil, puxam a demanda por compressores menores, mais silenciosos e mais eficientes, e por refrigerantes naturais, como o isobutano (R600a), com baixo potencial de aquecimento global. A Embraco foi uma das primeiras a produzir compressores para esses fluidos em larga escala.
A companhia figura entre os maiores fabricantes mundiais de compressores para refrigeração, com participação relevante nos mercados das Américas, da Europa e da Ásia. Seus clientes incluem praticamente todas as grandes marcas de eletrodomésticos e de equipamentos de refrigeração comercial. Em Joinville, é um dos maiores empregadores industriais e uma das âncoras do polo metalmecânico da cidade, ao lado de empresas como Tupy e Whirlpool.
A história da Embraco mostra um caminho pouco comum na indústria brasileira: nascer para substituir importações, investir em tecnologia própria e passar a exportar engenharia, não apenas produto. O compressor de velocidade variável e o domínio dos refrigerantes naturais são contribuições reconhecidas no setor em todo o mundo. Mesmo sob controle estrangeiro, o centro de desenvolvimento continua em Santa Catarina, o que mantém Joinville no mapa global da refrigeração.
A Embraco (Empresa Brasileira de Compressores) foi fundada em 1971, em Joinville (SC), por fabricantes brasileiros de refrigeradores, entre eles a Consul, para produzir no país os compressores herméticos que até então eram importados. A produção começou em 1974.
Não. A Whirlpool controlou a Embraco a partir dos anos 1990, por meio da Brasmotor, e vendeu a operação ao grupo japonês Nidec em 2019. Hoje a marca Embraco pertence à Nidec Global Appliance.
Compressores herméticos para refrigeração doméstica e comercial, como geladeiras, freezers, expositores e bebedouros, além de unidades condensadoras e compressores de velocidade variável (inverter). A capacidade de produção é de dezenas de milhões de unidades por ano.
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