Ambev: como nasceu a maior cervejaria da América Latina
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Poucas empresas brasileiras carregam tanto peso simbólico quanto a Companhia Siderúrgica Nacional. Criada em 1941 pelo governo de Getúlio Vargas, a CSN ergueu em Volta Redonda (RJ) a primeira grande usina integrada de aço do país. A Usina Presidente Vargas, inaugurada em 1946, forneceu chapas para a indústria automobilística, naval e de eletrodomésticos que surgiria nas décadas seguintes. Privatizada em 1993, a companhia virou um grupo que hoje reúne siderurgia, mineração, cimento, logística e energia.
No fim dos anos 1930, o Brasil importava quase todo o aço que consumia. A criação de uma siderúrgica de grande porte era considerada condição para industrializar o país, mas exigia capital, tecnologia e carvão que o Brasil não tinha. A solução veio no contexto da Segunda Guerra Mundial: em 1940 e 1941, o governo Vargas negociou com os Estados Unidos o financiamento do projeto, por meio do Eximbank, em troca de alinhamento diplomático e do uso de bases no Nordeste pelos aliados.
A Companhia Siderúrgica Nacional foi constituída em abril de 1941, como empresa de capital estatal. A escolha do local recaiu sobre Volta Redonda, então um distrito de Barra Mansa, no vale do rio Paraíba do Sul, a meio caminho entre o Rio de Janeiro e São Paulo, os dois principais mercados consumidores, e ligado por ferrovia às minas de ferro de Minas Gerais e ao porto do Rio. A equipe técnica brasileira foi liderada pelo engenheiro militar Edmundo de Macedo Soares e Silva, figura central da siderurgia nacional.
A construção começou em 1941 e mobilizou milhares de trabalhadores num canteiro que virou cidade. A Usina Presidente Vargas iniciou a produção em 1946, com coqueria, alto-forno, aciaria e laminação de planos, um ciclo completo do minério à chapa, inédito no Brasil naquela escala.
Volta Redonda cresceu ao redor da usina. A própria CSN construiu bairros operários, escolas, hospital e infraestrutura urbana, e o distrito se emancipou de Barra Mansa em 1954. A cidade passou a ser conhecida como Cidade do Aço, e a região do Médio Paraíba fluminense virou um dos principais eixos industriais do Sudeste, hoje citado entre os maiores polos industriais do Brasil.
Nas décadas seguintes, a usina passou por sucessivas expansões, com novos altos-fornos, aciaria a oxigênio, laminadores a quente e a frio e linhas de galvanização e de folhas metálicas, e se tornou a principal fornecedora de aço plano para a indústria automobilística instalada no ABC paulista a partir dos anos 1950 e para a fabricação de latas e eletrodomésticos.
Como outras estatais siderúrgicas, a CSN chegou aos anos 1980 endividada e com dificuldades de investimento. Foi incluída no Programa Nacional de Desestatização e leiloada em abril de 1993, na bolsa do Rio de Janeiro. O controle passou a um grupo de investidores privados liderado pelo grupo Vicunha, da família Steinbruch, que segue no comando.
A partir daí a empresa modernizou a usina, cortou custos e passou a investir nos elos anteriores e posteriores da cadeia do aço:
Essa configuração diferencia a CSN de outras siderúrgicas brasileiras, como a Gerdau, mais concentrada em aços longos e reciclagem de sucata: a CSN é, ao mesmo tempo, mineradora e produtora integrada de aços planos.
A Usina Presidente Vargas continua sendo o coração do grupo, com capacidade de produção de aço bruto na casa dos milhões de toneladas por ano. Os principais produtos são:
Somam-se a isso o minério de ferro, o cimento, a logística e a energia, o que faz da CSN um dos grandes conglomerados industriais do país, com ações na B3 e na Bolsa de Nova York.
Uma usina integrada é um dos ambientes mais exigentes para a automação industrial. O alto-forno opera de forma contínua por anos, com controle de carga, temperatura e composição dos gases feito por sistemas de supervisão e modelos de processo. Na aciaria, o sopro de oxigênio nos convertedores é controlado em minutos; no lingotamento contínuo, a velocidade de extração e o resfriamento definem a qualidade da placa.
A laminação é onde o controle fica mais visível: laminadores a quente e a frio dependem de controle automático de espessura, planicidade e temperatura, com atuação em milissegundos e medição em linha da chapa. As linhas de galvanização e de folhas metálicas somam controle de camada de revestimento e inspeção automática de superfície. Ao longo dos anos, a CSN modernizou salas de controle, substituiu sistemas antigos por controle distribuído e passou a integrar dados de processo, manutenção e qualidade para rastrear cada bobina do minério ao cliente.
A CSN nasceu como projeto de Estado, formou gerações de engenheiros e técnicos e deu ao Brasil a base metálica sobre a qual se construíram a indústria automobilística, a naval e a de bens de consumo. Volta Redonda é o exemplo mais claro de cidade que nasceu de uma fábrica. Oitenta anos depois da inauguração da usina, a companhia é um grupo diversificado e privado, mas a chapa que sai do vale do Paraíba continua ligada à pergunta que motivou sua criação: quanto da indústria um país consegue construir com o aço que produz.
A Companhia Siderúrgica Nacional foi criada em 1941, no governo de Getúlio Vargas, como empresa estatal, para dar ao Brasil uma grande usina integrada de aço e reduzir a dependência de importações. A Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda (RJ), entrou em operação em 1946.
A CSN foi privatizada em 1993, em leilão realizado no Rio de Janeiro dentro do programa nacional de desestatização. O controle passou a um grupo de investidores privados liderado pelo grupo Vicunha, que comanda a companhia desde então.
Hoje a CSN é um grupo diversificado: produz aços planos e longos em Volta Redonda, extrai minério de ferro na mina Casa de Pedra, em Congonhas (MG), fabrica cimento, opera ferrovias e um terminal portuário em Itaguaí (RJ) e participa da geração de energia. Também tem usinas na Alemanha e em Portugal.
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