30 anos do OPC: como o padrão resolveu a conversa entre sistemas industriais
Em 1996 nasceu o padrão OPC. Entenda como ele resolveu a troca de dados entre sistemas industriais e o caminho até o OPC UA.

Em 8 de novembro de 1895, no laboratório da Universidade de Würzburg, na Alemanha, o físico Wilhelm Conrad Röntgen percebeu que uma radiação invisível, emitida por um tubo de raios catódicos, atravessava papel e madeira e sensibilizava uma tela fluorescente. Chamou-a de raios X. A descoberta rendeu a ele o primeiro Nobel de Física, em 1901, e a data virou o Dia Internacional da Radiologia, celebrado desde 2012 por iniciativa conjunta da Sociedade Europeia de Radiologia (ESR), da Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA) e do Colégio Americano de Radiologia (ACR).
A data lembra sobretudo a medicina, mas a mesma física sustenta uma das ferramentas mais importantes do controle de qualidade industrial. A radiografia industrial permite enxergar o interior de soldas, fundidos e componentes sem cortá-los, e atualmente divide espaço com a tomografia computadorizada, que reconstrói peças inteiras em três dimensões.
O princípio é o da atenuação. A radiação atravessa a peça e perde intensidade de acordo com a espessura e a densidade do material. Do outro lado, um filme ou detector registra o que passou. Um vazio interno, como um poro, deixa passar mais radiação e aparece mais escuro na imagem convencional; uma inclusão mais densa aparece mais clara.
Duas famílias de fontes são usadas:
Por muitas décadas, o filme radiográfico foi o padrão. Ele ainda é usado, mas perdeu espaço para duas técnicas digitais:
A imagem digital elimina a revelação química, facilita o arquivamento e permite ferramentas de medição e realce na tela. Em linhas de produção, torna viável a inspeção automatizada.
A radiografia é um dos ensaios não destrutivos mais tradicionais para juntas soldadas. Ela revela descontinuidades volumétricas com clareza:
A última ressalva é importante. Trincas finas e planas, perpendiculares ao feixe, podem passar despercebidas. Por isso a radiografia costuma ser combinada com o ultrassom, que é mais sensível a descontinuidades planas, conforme o código de construção do equipamento exigir.
A qualidade da imagem é verificada com indicadores de qualidade de imagem, peças padronizadas com fios ou furos de diâmetros conhecidos colocadas sobre a junta. Se o menor fio exigido aparece na imagem, a sensibilidade está adequada. Normas internacionais, como as da série ISO 17636 para radiografia de soldas, e códigos de projeto definem técnica, sensibilidade e critérios de aceitação.
Uma inspeção radiográfica de solda segue um roteiro previsível. Primeiro vem o procedimento qualificado, que define fonte, distância, tempo de exposição, tipo de filme ou detector e posição dos indicadores de qualidade de imagem. Depois, cada junta é identificada com marcadores de chumbo que aparecem na imagem, para que não haja dúvida sobre qual trecho foi examinado. Feita a exposição, o inspetor confere se a imagem atende aos requisitos de densidade ou de relação sinal-ruído e de sensibilidade antes de avaliar qualquer indicação.
Só então as indicações são interpretadas, classificadas e comparadas com o critério de aceitação do código aplicável. O laudo registra a junta, a técnica, as indicações encontradas e a decisão: aprovada, reprovada ou a reparar. Juntas reparadas voltam a ser radiografadas. Esse encadeamento é o que dá valor legal e técnico ao ensaio, e é também o que se automatiza quando a inspeção passa a ser feita em linha.
Em peças fundidas, sobretudo de alumínio para o setor automotivo, a radiografia procura porosidade, rechupes e inclusões em regiões críticas. Em muitas fundições, a inspeção é feita em cabines automatizadas: um manipulador ou robô posiciona a peça em ângulos programados, o detector captura as imagens e um software de reconhecimento automático de defeitos classifica a peça como aprovada ou reprovada, sem depender da avaliação visual de cada imagem.
A tomografia computadorizada industrial vai além. A peça gira diante do feixe, centenas de projeções são capturadas e o software reconstrói um volume tridimensional. Com ele é possível:
A tomografia é mais lenta e cara que a radiografia, e costuma ser usada em desenvolvimento de produto, validação de processo e amostragem, enquanto a radiografia digital cuida da inspeção de rotina.
A radiação ionizante não é percebida pelos sentidos, e o controle da exposição se apoia em três princípios clássicos: tempo de exposição mínimo, distância máxima da fonte e blindagem adequada entre a fonte e as pessoas.
No Brasil, o uso de fontes de radiação na indústria é regulado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). A norma CNEN NN 6.04 estabelece requisitos de segurança e proteção radiológica para serviços de radiografia industrial, incluindo plano de proteção radiológica, supervisor de proteção radiológica e procedimentos para trabalhos em áreas ocupadas. Na prática, isso se traduz em:
Nas cabines automatizadas de raios X, a segurança passa também pela automação. Portas com intertravamento desligam a emissão quando abertas, sinalizadores luminosos indicam tubo energizado e a lógica de controle impede o início da exposição sem as condições de segurança satisfeitas. Esses circuitos devem ser projetados e testados com o mesmo rigor aplicado às funções de segurança de máquinas.
Laudos radiográficos exigem profissionais certificados. A certificação de inspetores de ensaios não destrutivos segue esquemas baseados na norma ISO 9712, e no Brasil a Abendi mantém o sistema nacional de qualificação e certificação em ensaios não destrutivos. A certificação em radiografia é independente da habilitação para operar fontes, que segue as regras da CNEN.
A efeméride de 8 de novembro homenageia uma descoberta de mais de 130 anos que continua a mudar a forma de olhar para dentro das coisas. Na indústria, olhar para dentro é o que separa uma solda confiável de uma falha em serviço.
A radiografia gera uma imagem bidimensional da peça atravessada pelo feixe, com as estruturas internas sobrepostas. A tomografia captura centenas de projeções com a peça girando e reconstrói um volume tridimensional, que permite localizar e medir defeitos e geometrias internas com precisão. A radiografia é mais rápida e usada na rotina; a tomografia, em desenvolvimento, validação e amostragem.
Não. Ela é muito eficaz em descontinuidades volumétricas, como poros e inclusões, e em falta de penetração. Trincas finas e planas, orientadas perpendicularmente ao feixe, podem não aparecer. Por isso códigos de construção frequentemente combinam radiografia e ultrassom.
No Brasil, a Comissão Nacional de Energia Nuclear licencia e fiscaliza instalações e serviços que usam fontes de radiação ionizante. Para radiografia industrial, a norma CNEN NN 6.04 estabelece os requisitos de segurança e proteção radiológica.
Não. A radiografia industrial com raios X ou com fontes gama usuais não torna a peça radioativa. A radiação atravessa o material e deixa de existir quando a exposição termina. O risco está na exposição das pessoas durante o ensaio, controlada por tempo, distância e blindagem.
Em 1996 nasceu o padrão OPC. Entenda como ele resolveu a troca de dados entre sistemas industriais e o caminho até o OPC UA.
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