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30 anos do OPC: como o padrão resolveu a conversa entre sistemas industriais

Por Redação ·

30 anos do OPC: como o padrão resolveu a conversa entre sistemas industriais

Quem integrava sistemas industriais no início dos anos 1990 conhecia bem o problema dos drivers. Cada software de supervisão precisava de um driver específico para cada marca e modelo de CLP, e cada fabricante de controlador precisava convencer os fornecedores de supervisórios a escrever esse driver. Com dez supervisórios e dez famílias de controladores, eram potencialmente cem drivers diferentes, cada um com seus erros, suas versões e seus limites. A história do OPC UA começa com a tentativa de acabar com esse quebra-cabeça.

Em 1996, uma força-tarefa de empresas de automação publicou a primeira especificação OPC e, na sequência, criou a OPC Foundation para mantê-la. Trinta anos depois, o padrão passou por uma reformulação completa e se tornou uma das bases da indústria conectada.

A ideia original: um driver para todos

A proposta do OPC era simples. Em vez de cada supervisório conversar diretamente com cada controlador, haveria uma interface padronizada no meio. O fabricante do controlador, ou um desenvolvedor especializado, escreveria um único servidor OPC para o seu equipamento. Qualquer aplicação cliente compatível, fosse um supervisório, um historiador ou uma planilha, poderia ler e escrever dados nesse servidor sem saber nada sobre o protocolo do controlador.

A primeira especificação se chamava OLE for Process Control, e o nome dizia muito sobre a tecnologia escolhida. Ela se apoiava nas tecnologias OLE, COM e DCOM da Microsoft, que dominavam o desenvolvimento de software para Windows na época. Os computadores de supervisão rodavam Windows, os fornecedores já dominavam essas ferramentas, e o padrão pôde ser implementado rapidamente.

O OPC clássico

A especificação inicial, conhecida como OPC Data Access (OPC DA), tratava da leitura e escrita de valores em tempo real: cada variável era um item com valor, qualidade e carimbo de tempo. Com o sucesso da proposta, a família cresceu:

O conjunto, atualmente chamado de OPC Classic, resolveu o problema dos drivers e se espalhou por supervisórios, historiadores de processo, sistemas de gestão da produção e ferramentas de análise. Por muitos anos, "ter servidor OPC" virou requisito comum em especificações de sistemas de automação.

Os limites do modelo baseado em DCOM

O sucesso também expôs as fraquezas da arquitetura:

À medida que a segurança cibernética ganhou importância e os dados de chão de fábrica passaram a interessar a sistemas corporativos, ficou claro que era preciso outro caminho. Como o padrão já não se limitava ao controle de processos, a OPC Foundation passou a usar o nome Open Platform Communications.

A virada: OPC Unified Architecture

A resposta foi o OPC UA, sigla de Unified Architecture. Depois de mais de três anos de trabalho de especificação e mais um ano de implementação de protótipo, a primeira versão foi publicada em 2006. O padrão foi depois adotado pela IEC como a série de normas IEC 62541.

As diferenças em relação ao OPC Classic são profundas:

Especificações complementares e a linguagem comum das máquinas

A modelagem de informação abriu espaço para as especificações complementares (companion specifications), desenvolvidas pela OPC Foundation em conjunto com associações setoriais. Elas definem como um tipo de equipamento deve se apresentar em OPC UA: quais dados, com que nomes, em que estrutura. Há modelos padronizados para dezenas de tipos de equipamento, como robôs, máquinas-ferramenta, injetoras, máquinas de embalagem, instrumentos de campo e sistemas de visão.

O efeito prático é que um sistema de gestão da produção pode ler o estado, os contadores e os alarmes de máquinas de fabricantes diferentes da mesma forma, sem mapeamento manual de cada variável. É a mesma promessa de 1996, levada do nível do protocolo ao nível do significado dos dados.

O papel do OPC UA na indústria conectada

Nas arquiteturas de Indústria 4.0, o OPC UA ocupa a posição de ligação entre o chão de fábrica e os sistemas de informação. Algumas aplicações comuns:

Muitos CLPs e controladores já saem de fábrica com servidor OPC UA embarcado, dispensando computadores intermediários. Onde há equipamentos antigos, gateways convertem OPC Classic ou protocolos proprietários para OPC UA, permitindo modernizar a integração sem trocar tudo.

Cuidados ao adotar OPC UA na planta

A adoção do padrão traz benefícios, mas exige alguns cuidados que costumam ser esquecidos na pressa de conectar as máquinas:

Lições de três décadas

A trajetória do OPC mostra alguns padrões que se repetem na automação:

Fontes e referências

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre OPC Classic e OPC UA?

O OPC Classic se baseia nas tecnologias COM e DCOM da Microsoft e funciona apenas em Windows, com especificações separadas para dados em tempo real, históricos e alarmes. O OPC UA é independente de plataforma, tem segurança integrada, unifica esses serviços e oferece modelagem de informação.

O OPC Classic ainda é usado?

Sim. Muitas plantas mantêm supervisórios e historiadores que dependem do OPC DA. A migração costuma ser gradual, com gateways que convertem OPC Classic para OPC UA enquanto os sistemas antigos são substituídos.

O OPC UA é uma norma internacional?

Sim. As especificações do OPC UA foram publicadas pela IEC como a série IEC 62541, o que reforça seu uso em especificações técnicas e projetos de integração.

O que é uma especificação complementar do OPC UA?

É um modelo de informação padronizado para um tipo de equipamento ou setor, desenvolvido pela OPC Foundation com associações da indústria. Ele define quais dados o equipamento expõe e como, para que sistemas de fabricantes diferentes se entendam sem mapeamentos manuais.

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