40 anos do barramento CAN: do automóvel às máquinas industriais
Em 1986 o protocolo CAN foi apresentado ao mundo. Veja como o barramento criado para automóveis chegou às máquinas e à automação industrial.

Um CLP de um fabricante europeu, um sensor asiático e um painel montado em São Paulo funcionam juntos na mesma máquina porque, em algum momento, alguém sentou em uma sala e escreveu uma norma. O Dia Mundial da Normalização, celebrado em 14 de outubro, existe para lembrar esse trabalho pouco visível. Na véspera da data, esta matéria reúne as normas IEC de automação que mais aparecem no dia a dia de projetistas, integradores e técnicos de manutenção, e explica para que serve cada uma.
A data remete a 14 de outubro de 1946, quando delegados de 25 países se reuniram em Londres para criar uma organização internacional voltada à normalização. A ISO, International Organization for Standardization, foi formalmente criada no ano seguinte. O primeiro Dia Mundial da Normalização foi celebrado em 1970.
A comemoração é promovida em conjunto por três organizações: a IEC (International Electrotechnical Commission), responsável pelas normas de eletricidade e eletrônica; a ISO, que cobre as demais áreas técnicas; e a ITU (International Telecommunication Union), das telecomunicações. No Brasil, a ABNT é o foro nacional de normalização e representa o país nessas entidades. Muitas normas internacionais ganham versão brasileira com o prefixo ABNT NBR IEC ou ABNT NBR ISO.
Para a automação industrial, a IEC é a principal referência. Três normas, em especial, estão presentes em quase todo projeto.
A série IEC 61131 trata dos controladores lógicos programáveis. Suas partes cobrem desde a definição de termos até requisitos de equipamentos, ensaios, linguagens de programação e comunicação. As duas mais citadas são:
Na prática, a IEC 61131-3 é o que permite que um programador formado em uma plataforma entenda, com pouco esforço, o programa de outra. Ela também define tipos de dados, blocos de funções padrão, como temporizadores e contadores, e a organização do software em programas, tarefas e unidades de organização de programa. A associação PLCopen trabalha para difundir a norma e publica especificações complementares, como as de controle de movimento e de segurança.
Quando uma falha em um sistema de controle pode ferir pessoas, causar dano ambiental ou destruir equipamentos, não basta que o sistema funcione na maior parte do tempo. É preciso demonstrar, com método, que ele executa a função de segurança com a confiabilidade necessária. Esse é o campo da segurança funcional, e a IEC 61508 é a norma básica da área.
A IEC 61508 trata de sistemas elétricos, eletrônicos e eletrônicos programáveis relacionados à segurança. Seus conceitos principais são:
A IEC 61508 funciona como norma-mãe. Dela derivam normas setoriais mais usadas no dia a dia: a IEC 61511, para a indústria de processos; a IEC 62061, para máquinas; e, na indústria automotiva, a ISO 26262. Em máquinas, a ISO 13849-1, com seus níveis de desempenho (PL), é a alternativa mais difundida, e a NR-12 exige que os sistemas de segurança tenham categoria compatível com a apreciação de riscos. Fabricantes de relés de segurança, CLPs de segurança, sensores e acionamentos informam nos manuais o SIL ou o PL que seus produtos permitem atingir.
Poucas normas aparecem tanto em folhas de dados quanto a IEC 60529, que define o código IP, de ingress protection. Ela classifica o quanto o invólucro de um equipamento protege contra a entrada de corpos sólidos e de água.
O código tem dois algarismos:
Assim, um sensor IP67 é vedado à poeira e suporta imersão temporária nas condições do ensaio. Um painel IP54 tem proteção contra poeira e respingos, adequado para muitos ambientes internos de fábrica. O código não substitui a análise do ambiente: produtos químicos de limpeza, ciclos térmicos e radiação solar não são cobertos pelo ensaio e precisam ser avaliados separadamente.
Além das três principais, outras normas da IEC fazem parte da rotina de quem trabalha com automação:
Normas técnicas são documentos pagos e extensos, e ninguém precisa decorá-las. Algumas práticas ajudam a extrair o que interessa:
Em 14 de outubro. A data lembra a reunião de delegados de 25 países em Londres, em 14 de outubro de 1946, que resultou na criação da ISO no ano seguinte. A comemoração é promovida por IEC, ISO e ITU.
A IEC elabora normas internacionais para eletricidade, eletrônica e tecnologias relacionadas. A ISO cobre as demais áreas técnicas e de gestão. Em temas de fronteira, como parte da segurança de máquinas e da documentação técnica, as duas publicam normas em conjunto.
Não. A lista de instruções foi declarada obsoleta na terceira edição, de 2013, e retirada na quarta edição, publicada em maio de 2025. As linguagens da edição atual são ladder, diagrama de blocos de funções, sequenciamento gráfico de funções e texto estruturado.
O primeiro algarismo, 6, indica que o invólucro é totalmente vedado à poeira. O segundo, 5, indica proteção contra jatos de água. É um grau comum em sensores, botoeiras e caixas instaladas em áreas com lavagem leve.
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