Ambev: como nasceu a maior cervejaria da América Latina
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O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de celulose de eucalipto, a fibra curta usada em papéis de imprimir, papéis sanitários e embalagens. A empresa que mais contribuiu para isso é a Suzano, fundada em 1924 em São Paulo por Leon Feffer, imigrante que começou vendendo papel e criou a maior companhia do setor no mundo. A trajetória passa pela descoberta industrial do eucalipto nos anos 1950, pela fusão com a Fibria em 2019 e pela fábrica de Ribas do Rio Pardo, inaugurada em 2024 no Mato Grosso do Sul.
Leon Feffer chegou ao Brasil vindo do leste europeu e, em 1924, abriu em São Paulo um pequeno negócio de comércio de papel. Nos anos seguintes, passou a fabricar o produto que antes revendia, primeiro na capital paulista e, na década de 1940, numa fábrica na cidade de Suzano, na região metropolitana, que acabou dando nome à empresa.
O passo que mudou a história do setor veio com a segunda geração. Nos anos 1950, Max Feffer, filho do fundador, liderou pesquisas para produzir celulose a partir do eucalipto, árvore de crescimento rápido e abundante em São Paulo, mas até então considerada inadequada para papel por causa da fibra curta. A empresa conseguiu fabricar celulose de eucalipto em escala industrial a partir de 1957, algo inédito no mundo. A fibra curta se mostrou adequada para papéis de imprimir e escrever e, depois, para papéis sanitários, abrindo um mercado que o Brasil dominaria décadas depois.
Com a tecnologia dominada, a Suzano cresceu ao longo das décadas seguintes por meio de novas fábricas, aquisições e, mais tarde, de uma fusão de grande porte:
A fusão com a Fibria foi o ponto de inflexão: colocou sob o mesmo grupo as fábricas de Aracruz (ES), Três Lagoas (MS), Jacareí (SP) e a Veracel, em Eunápolis (BA), sociedade com a finlandesa Stora Enso. A capacidade de celulose da Suzano ultrapassou 10 milhões de toneladas por ano, a maior do mundo nessa fibra.
A fábrica de Ribas do Rio Pardo, a cerca de 100 quilômetros de Campo Grande, foi o maior investimento da história da Suzano, orçado em mais de duas dezenas de bilhões de reais. Inaugurada em 2024, tem capacidade de cerca de 2,5 milhões de toneladas de celulose por ano numa única linha de produção, o que a torna a maior do mundo nesse formato. A localização foi escolhida pela proximidade das florestas plantadas de eucalipto no Mato Grosso do Sul, estado que se tornou o principal polo de celulose do país e aparece com destaque entre os maiores polos industriais do Brasil.
Como as demais fábricas modernas do setor, a unidade é autossuficiente em energia e vende à rede o excedente gerado a partir do licor negro e da biomassa. A celulose segue por ferrovia até o porto de Santos, de onde é exportada.
A Suzano é uma empresa de base florestal com produtos em diferentes estágios da cadeia:
A base de tudo é uma área florestal de milhões de hectares, entre plantios de eucalipto e áreas de conservação, distribuída por estados como São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Pará. A empresa tem ações negociadas na B3 e na Bolsa de Nova York, exporta a maior parte do que produz, mantém escritórios comerciais na Ásia, na Europa e na América do Norte e emprega dezenas de milhares de pessoas, muitas delas em regiões do interior onde suas fábricas são a principal atividade econômica.
Uma fábrica de celulose é um processo químico contínuo que opera 24 horas por dia, com paradas programadas espaçadas por meses. Cozimento da madeira, branqueamento, evaporação do licor negro, caldeira de recuperação e secagem são controlados por sistemas de controle distribuído e supervisionados a partir de salas de controle centralizadas, com milhares de pontos de medição. Quem quer entender essa camada de supervisão pode ler o tutorial sobre sistemas SCADA.
Nas fábricas mais novas, como Imperatriz e Ribas do Rio Pardo, a Suzano adotou centros de operação integrados, análise de dados de processo e manutenção baseada em condição para reduzir perdas. Na área florestal, usa mapeamento por satélite e drones, sensores em colheitadeiras e planejamento logístico por software para coordenar plantio, colheita e transporte de madeira. A pesquisa também está na genética: programas de melhoramento de eucalipto e uma subsidiária de biotecnologia buscam mais produtividade por hectare e melhor qualidade de fibra. É essa combinação de clima, genética e escala que explica o custo baixo da celulose brasileira em relação a outras regiões do mundo.
Em pouco mais de um século, a Suzano transformou uma árvore que ninguém queria para papel na base de uma indústria exportadora de escala mundial. A celulose de eucalipto virou um dos principais produtos da pauta exportadora brasileira, e o Brasil passou a ditar o ritmo do mercado global de fibra curta. A trajetória da Suzano mostra como pesquisa, automação e escala se combinam para criar vantagem competitiva duradoura.
A Suzano foi fundada em 1924 pelo imigrante Leon Feffer, em São Paulo, inicialmente como um negócio de comércio de papel. A produção própria começou na década seguinte e o nome vem da cidade de Suzano (SP), onde a empresa instalou sua fábrica de papel.
Na década de 1950, a Suzano foi pioneira em produzir celulose de eucalipto em escala industrial. Em 2019, incorporou a Fibria, que reunia as antigas Aracruz e Votorantim Celulose e Papel, e passou a ter capacidade superior a 10 milhões de toneladas por ano, a maior do mundo nessa fibra.
O projeto Cerrado é a fábrica de celulose de Ribas do Rio Pardo, em Mato Grosso do Sul, inaugurada em 2024. Com capacidade de cerca de 2,5 milhões de toneladas por ano numa única linha, é a maior fábrica de celulose de eucalipto do mundo em linha única.
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