Ambev: como nasceu a maior cervejaria da América Latina
A história da Ambev, criada em 1999 pela fusão de Brahma e Antarctica: a formação da AB InBev, as marcas, as fábricas e a automação das linhas de envase.

A Romi ocupa um lugar particular na história industrial brasileira. É a maior fabricante de máquinas-ferramenta do país, uma das poucas da América Latina com marca reconhecida no exterior, e foi também a empresa que colocou nas ruas o primeiro automóvel produzido em série no Brasil, o Romi-Isetta, em 1956. Tudo isso a partir de Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo, onde a companhia nasceu em 1930 como uma oficina de conserto de carros.
Américo Emílio Romi nasceu em 1896 em São José do Rio Pardo, no interior paulista, e passou parte da juventude na Itália, onde teve contato com a indústria mecânica. De volta ao Brasil, fundou em 1930 a Garage Santa Bárbara, uma oficina de reparo de automóveis em Santa Bárbara d'Oeste.
A oficina logo deixou de ser apenas oficina. Entre 1932 e 1933, Romi desenvolveu a "Autolina", um combustível que misturava etanol de cana-de-açúcar à gasolina, numa região canavieira e num momento em que o país buscava alternativas ao combustível importado. No mesmo período, a empresa começou a fabricar máquinas e implementos agrícolas e instalou sua primeira fundição, um passo que definiria o futuro do negócio.
Em 1938, a empresa passou a se chamar Máquinas Agrícolas Romi Ltda. Poucos anos depois, no início dos anos 1940, produziu seu primeiro torno mecânico, marcando a entrada no segmento de máquinas-ferramenta que se tornaria sua principal atividade.
Em meados dos anos 1950, o governo brasileiro incentivava a instalação de uma indústria automobilística nacional. A Romi, já fabricante de máquinas e com fundição própria, firmou um acordo de licença com a italiana Iso para produzir o Isetta, um microcarro de dois lugares com a característica porta frontal.
O Romi-Isetta começou a ser produzido em 1956 em Santa Bárbara d'Oeste e é reconhecido como o primeiro automóvel fabricado em série no Brasil, à frente dos veículos das montadoras estrangeiras que se instalariam no país nos anos seguintes. A produção durou até o início dos anos 1960 e somou alguns milhares de unidades.
O carro não se tornou um negócio duradouro para a empresa, mas deixou dois legados: mostrou que havia capacidade técnica nacional para fabricar um veículo completo e reforçou a competência da Romi em fundição e usinagem, que ela transformaria em seu negócio principal. Américo Emílio Romi morreu em 1959, e a empresa seguiu sob comando da família, com gestão profissionalizada ao longo das décadas seguintes.
A empresa atua em três linhas de negócio, todas ligadas à indústria metalmecânica:
A produção fica concentrada em Santa Bárbara d'Oeste, onde a empresa mantém fundição, usinagem e montagem no mesmo complexo. Na Alemanha, a Romi controla a Burkhardt+Weber, fabricante de centros de usinagem de grande porte adquirida em 2012, o que a levou a um segmento de máquinas mais pesadas e de maior valor.
A Romi ocupa uma posição incomum no debate sobre automação industrial: ela é ao mesmo tempo fornecedora e usuária. Suas máquinas CNC estão em oficinas e fábricas de todo o país, e sua própria planta é um exemplo de fábrica de usinagem que precisa aplicar o que vende.
Como fornecedora, a evolução do produto acompanha a do setor. Os tornos convencionais dos anos 1940 deram lugar às máquinas com comando numérico computadorizado, depois a centros de usinagem com troca automática de ferramentas, e mais recentemente a soluções com automação de carga e descarga por robôs, monitoramento remoto e integração com sistemas de gestão da produção. A tendência de usinagem robotizada e de alta velocidade, que apareceu com força na IMTS 2026, é o ambiente competitivo em que a empresa disputa espaço com fabricantes asiáticos e europeus.
Como usuária, a Romi opera uma fundição de ferro e linhas de usinagem que exigem controle de processo rigoroso. Em plantas assim, a manutenção de máquinas críticas costuma ser um dos maiores ganhos de produtividade disponíveis, e a lógica descrita em Manutenção preditiva: por onde começar se aplica diretamente a fundições e centros de usinagem.
A Romi é líder em máquinas-ferramenta na América Latina e vende para clientes em mais de 60 países. Mantém subsidiárias comerciais e de assistência técnica nos Estados Unidos, no México e em países europeus, além de uma rede de distribuidores. A empresa tem capital aberto na bolsa brasileira desde a década de 1970 e figura entre as poucas fabricantes nacionais de bens de capital com presença internacional consolidada.
O mercado de máquinas-ferramenta é cíclico e sensível ao investimento industrial, o que faz a receita da empresa oscilar com a economia. A diversificação em fundidos e em máquinas para plásticos ajuda a suavizar esses ciclos.
Poucas empresas brasileiras acumulam tantos marcos: um combustível alternativo nos anos 1930, um dos primeiros tornos nacionais nos anos 1940, o primeiro carro produzido em série no país nos anos 1950 e, desde então, uma presença contínua no segmento mais exigente da indústria metalmecânica, o de fabricar as máquinas que fabricam as outras coisas.
O Romi-Isetta virou peça de museu e item de colecionador. As máquinas-ferramenta continuam saindo de Santa Bárbara d'Oeste. E a lição que a empresa deixa é a de que dominar fundição, usinagem e engenharia de produto é o que permite a uma indústria atravessar quase um século de mudanças tecnológicas sem perder a relevância.
O Romi-Isetta, um microcarro fabricado sob licença da italiana Iso pelas Indústrias Romi em Santa Bárbara d'Oeste (SP), a partir de 1956. A produção durou até o início dos anos 1960.
A Romi foi fundada em 1930 por Américo Emílio Romi, em Santa Bárbara d'Oeste, interior de São Paulo, como uma oficina de reparo de automóveis chamada Garage Santa Bárbara.
A empresa fabrica máquinas-ferramenta (tornos CNC e centros de usinagem), máquinas para processamento de plásticos (injetoras e sopradoras) e peças fundidas e usinadas em ferro, atendendo clientes em mais de 60 países.
A história da Ambev, criada em 1999 pela fusão de Brahma e Antarctica: a formação da AB InBev, as marcas, as fábricas e a automação das linhas de envase.
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