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Encoder incremental ou absoluto: qual escolher e como especificar

Por Redação ·

Encoder incremental ou absoluto: qual escolher e como especificar

A decisão entre encoder incremental e absoluto se resolve com uma pergunta: o que a máquina precisa saber quando a energia volta? Se ela pode procurar um sensor de referência antes de operar, o incremental resolve e custa menos. Se a posição tem de estar correta no instante em que o controlador liga — porque há um eixo suspenso, um risco ao operador ou uma peça em processo —, a resposta é absoluto.

Este tutorial trata do que vem depois dessa escolha: tipo de sinal, resolução, montagem e ambiente. Para quem ainda está antes dela, o tutorial sobre como escolher encoder rotativo cobre o panorama geral.

Princípio de funcionamento

O encoder rotativo converte movimento angular em sinal elétrico. Na construção óptica, um disco com trilhas transparentes e opacas gira entre um emissor de luz e fotodetectores, e cada transição vira um pulso. Na magnética, um anel polarizado gira diante de sensores Hall. Há ainda modelos indutivos e capacitivos, mais tolerantes a sujeira e vibração.

O que muda entre incremental e absoluto não é o princípio físico, mas o que está gravado no disco. No incremental, as trilhas são repetitivas e idênticas: o encoder só informa que houve deslocamento, e a posição vem de uma contagem feita no controlador. No absoluto, cada posição angular tem código único, normalmente em código Gray, para que apenas um bit mude entre posições vizinhas. O encoder responde onde está, sem depender de histórico.

Encoder incremental

O incremental entrega três sinais. Os canais A e B são trens de pulsos defasados em 90 graus elétricos: a contagem dos pulsos dá o deslocamento e a ordem entre A e B dá o sentido de rotação. O canal Z (ou índice) dá um pulso por volta e serve de referência de zero.

A resolução se expressa em PPR (pulsos por revolução). O controlador pode multiplicá-la lendo só as bordas de subida de A (x1), as bordas de A e B (x2) ou as quatro bordas do par (x4), a leitura em quadratura. Um encoder de 1.024 PPR lido em x4 entrega 4.096 contagens por volta, sem hardware adicional.

O padrão elétrico da saída é o que define a distância de cabo e a imunidade a ruído:

SaídaNível típicoTransmissãoAlcance práticoUso
HTL / push-pullAlimentação de 10 a 30 VSinal único por canalDezenas de metrosAmbiente industrial ruidoso, entradas de CLP
TTL / RS-422 (line driver)5 VDiferencial, com canais invertidosAté algumas centenas de metrosServoacionamentos, alta frequência, cabo longo
Open collectorDepende do pull-upSinal único, corrente limitadaCurtoAplicações simples e de baixo custo

Saídas em line driver enviam A, /A, B, /B, Z e /Z. O receptor lê a diferença entre o par, o que cancela ruído de modo comum e permite frequências mais altas. Perto de inversores de frequência, é o formato que evita contagens espúrias.

O limite superior do incremental é a frequência máxima de saída. PPR alto com rotação alta pode exceder o encoder e a entrada rápida do CLP: pulsos por segundo equivalem ao PPR multiplicado pela rotação em voltas por segundo, e o resultado precisa caber nos dois lados.

Encoder absoluto: single-turn e multi-turn

O single-turn codifica posições dentro de uma volta: a resolução se expressa em bits, e a leitura se repete a cada 360 graus. Serve para eixos que não dão mais de uma volta em sua faixa útil, como mesas rotativas, válvulas e articulações.

O multi-turn acrescenta a contagem de voltas completas, por engrenagens auxiliares ou circuito eletrônico com energia armazenada. A posição total combina bits de volta com bits dentro da volta e permanece correta depois de dias sem energia. É o padrão em eixos lineares por fuso, talhas, pórticos e posicionadores.

A transmissão desses dados é digital e serial:

Quando cada um: os três critérios que decidem

Referenciamento. O incremental exige homing a cada energização: mover o eixo até um fim de curso ou até o canal Z e zerar a contagem. Custa tempo de partida e exige espaço livre para o movimento. O absoluto dispensa homing.

Perda de energia. O incremental perde a referência se o eixo se mover com o controlador desligado — eixos verticais que descem por gravidade, máquinas destravadas para manutenção. O absoluto multi-turn retém a posição.

Segurança. Quando um erro de posição gera risco a pessoas ou dano à máquina, a posição precisa ser verificável na partida. Há encoders com funções de segurança certificadas, de dois canais internos e diagnóstico, para eixos com requisito de parada ou velocidade segura.

CritérioIncrementalAbsoluto
Posição após religarPerdida, exige homingConhecida imediatamente
Movimento com a máquina desligadaNão é detectadoDetectado (multi-turn)
Custo relativoMenorMaior
Fiação e integraçãoSimples, entradas rápidas de CLPSerial ou rede, exige driver e parametrização
Diagnóstico do próprio sensorLimitadoAmplo (BiSS, redes industriais)
Aplicação típicaVelocidade, contagem, eixos com homing rápidoEixos verticais, posicionamento crítico, multi-eixo

Resolução e precisão não são a mesma coisa

Resolução é o menor incremento que o encoder distingue. Precisão é o quanto a posição informada corresponde ao ângulo real. Um encoder de alta resolução pode ter erro maior que seu próprio passo, por excentricidade do disco, tolerância de montagem, folga no acoplamento ou dilatação térmica.

Dimensione a resolução pela necessidade do controle: uma regra comum é ter de cinco a dez contagens por unidade mínima de posicionamento exigida. Acima disso, aumentam a frequência de sinal, a carga de processamento e o custo, sem melhorar o resultado. Do lado mecânico, folga de engrenagem ou torção de correia costuma dominar o erro total, o que torna irrelevante ganhar bits no sensor.

Montagem e acoplamento

A montagem define a vida do encoder tanto quanto a eletrônica:

Ambiente

Três especificações resumem a robustez. O grau de proteção IP: IP54 basta em painel seco, IP65 e IP67 são o padrão de campo, IP69K atende lavagem com jato quente. A faixa de temperatura precisa cobrir o ponto de montagem, que em motores e fornos é bem mais quente que o ambiente. E a resistência a choque e vibração, em g; sob vibração alta, encoders magnéticos e indutivos costumam durar mais que os ópticos.

Há ainda as correntes de eixo: motores alimentados por inversor geram tensão no eixo que circula pelos rolamentos do encoder. Cabo blindado, aterramento em ponto único e roteamento separado da potência são obrigatórios.

Erros comuns

Exemplo prático

Pórtico de paletização com eixo vertical acionado por servomotor e fuso, curso de 2,5 m, passo de fuso de 10 mm, posicionamento exigido de ±0,5 mm, ambiente de fábrica com poeira moderada, CLP com porta EtherCAT já em uso na máquina.

O eixo é vertical e desce por gravidade quando o freio é liberado: encoder absoluto. O curso de 2,5 m com passo de 10 mm dá 250 voltas do fuso: multi-turn. Para ±0,5 mm em passo de 10 mm, cada volta precisa ser dividida em pelo menos 20 partes; com a margem de cinco a dez contagens por unidade mínima, uma resolução single-turn de 12 a 13 bits já é folgada, e a faixa multi-turn precisa cobrir 250 voltas com sobra.

A interface acompanha a máquina: modelo com EtherCAT, que entrega posição e diagnóstico no mesmo cabo da rede e dispensa entrada rápida dedicada. A montagem é de eixo vazado sobre a ponta traseira do fuso, com braço de reação flexível. O ambiente pede IP65 e faixa de temperatura compatível com a casa de máquinas. Cabo blindado, aterrado no lado do controlador, roteado longe dos cabos do servoacionamento.

O incremental voltaria à mesa se o eixo fosse horizontal, com freio e espaço para homing: um modelo de 1.024 PPR com saída HTL e leitura em quadratura resolveria por uma fração do custo.

Checklist final

Encoder bem especificado é aquele que a equipe esquece. O caminho para isso é decidir primeiro o que a máquina precisa saber ao ligar, e só depois discutir bits.

Fontes e referências

Perguntas frequentes

Encoder incremental pode substituir absoluto se eu salvar a posição no CLP?

Só parcialmente. Salvar a última posição em memória retentiva funciona enquanto o eixo não se mover com o controlador desligado. Basta uma movimentação manual, uma queda por gravidade ou um deslizamento no acoplamento para que o valor salvo fique errado, sem que o sistema perceba. Em eixos verticais ou com risco associado, o absoluto multi-turn é a solução correta.

Qual a diferença entre PPR e resolução em bits?

PPR é o número de pulsos por revolução de um encoder incremental, e pode ser multiplicado por dois ou por quatro na leitura em quadratura. Bits descrevem a resolução de um encoder absoluto: 13 bits significam 8.192 posições distintas por volta. Em encoders multi-turn, somam-se os bits de volta aos bits dentro da volta para obter a faixa total.

Quando escolher saída HTL em vez de TTL?

HTL, ou push-pull, trabalha com a tensão de alimentação, entre 10 e 30 V, e tem boa imunidade a ruído em distâncias de dezenas de metros, o que combina com entradas de CLP em ambiente industrial. TTL em 5 V só deve ser usado com transmissão diferencial em line driver, situação em que alcança cabos mais longos e frequências mais altas, típicas de servoacionamentos.

Eixo vazado ou eixo sólido com acoplamento?

Eixo vazado é preferível quando há espaço para o braço de reação e acesso à ponta do eixo: elimina o acoplamento, reduz erro e encurta a montagem. Eixo sólido com acoplamento elástico é a opção quando o encoder precisa ficar afastado, quando há isolamento elétrico a garantir ou quando o eixo da máquina não tem ponta livre.

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