Dia Mundial da Normalização: as normas IEC que orientam a automação industrial
No Dia Mundial da Normalização, conheça as normas IEC mais usadas na automação industrial, de CLPs a segurança funcional e grau de proteção.

Na primavera de 1961 do hemisfério norte, sem cerimônia de inauguração, um braço mecânico hidráulico começou a trabalhar em uma fábrica da General Motors em Ewing Township, no estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos. A tarefa era das mais ingratas da planta: retirar peças recém-saídas de uma máquina de fundição sob pressão, ainda muito quentes, e empilhá-las. O equipamento se chamava Unimate e é reconhecido como o primeiro robô industrial a operar em uma linha de produção. Em 2026, a instalação completa 65 anos.
A história do primeiro robô industrial não é só a de uma máquina. É a de uma ideia, a de que um mesmo equipamento pudesse ser reprogramado para tarefas diferentes, que levou décadas para se tornar comum e que ainda define o que se entende por robô na fábrica.
O Unimate nasceu da combinação de dois perfis. O inventor George Devol, que trabalhava com gravação magnética e controle de máquinas, depositou em dezembro de 1954 um pedido de patente para um dispositivo que chamou de Programmed Article Transfer, algo como "transferência programada de artigos". A patente, de número 2.988.237 nos Estados Unidos, só foi concedida em junho de 1961, poucos meses depois de o primeiro Unimate entrar em operação.
A ideia central de Devol era um manipulador de uso geral, capaz de repetir movimentos armazenados em uma memória e de ter esses movimentos alterados sem refazer a máquina. Era o oposto da automação rígida da época, em que cada mecanismo era projetado para uma única operação e perdia a utilidade quando o produto mudava.
Em 1956, Devol conheceu o engenheiro Joseph Engelberger. Da parceria nasceu a Unimation, considerada a primeira empresa dedicada à robótica. Engelberger assumiu o papel de defensor comercial da tecnologia e passou anos convencendo a indústria de que valia a pena colocar um braço programável na linha. Por esse trabalho, ele ficou conhecido como um dos pais da robótica industrial.
O robô instalado em 1961 era bem diferente do desenho da patente original. Enquanto a patente descrevia um manipulador com movimentos lineares, o Unimate de produção era um braço acionado hidraulicamente, com cinco graus de liberdade. Pesava cerca de 1,8 tonelada e ficava fixo ao lado da máquina que atendia.
Os pontos mais interessantes do projeto, vistos com os olhos atuais, são três:
A escolha da tarefa também ajuda a entender por que o robô foi aceito. Manipular peças fundidas quentes expunha os trabalhadores a calor, fumos e risco de queimaduras e amputações. Um equipamento que assumisse essa operação resolvia um problema de segurança antes de ser uma questão de produtividade.
A partir da instalação na General Motors, a Unimation começou a produzir em escala e licenciou a tecnologia para fabricantes de outros países, entre eles a japonesa Kawasaki, que passou a fabricar Unimates no Japão. Foi o início da presença japonesa em robótica, que se tornaria dominante nas décadas seguintes.
A década de 1970 trouxe as mudanças que dariam a forma atual dos robôs industriais:
Com o acionamento elétrico, os servomotores e o controle por microprocessador, os robôs ganharam precisão, repetibilidade e facilidade de programação. A indústria automobilística, principal compradora, passou a usá-los em larga escala em soldagem a ponto, pintura e manipulação.
Nas décadas de 1980 e 1990, o robô industrial se consolidou como uma célula isolada: grades de proteção, portas intertravadas e cortinas de luz separavam o braço das pessoas. Essa configuração resolvia a segurança, mas limitava a aplicação a tarefas que justificassem o investimento na célula completa.
A mudança seguinte veio com os robôs colaborativos, os cobots, que passaram a ser oferecidos comercialmente no fim dos anos 2000. Eles combinam limitação de força e potência, sensores de contato e velocidades controladas para permitir, após a apreciação de riscos, o trabalho próximo de pessoas sem as grades tradicionais. A programação por demonstração, com o operador conduzindo o braço à mão, lembra de perto o princípio do Unimate.
As normas acompanharam essa evolução. A série ISO 10218 trata da segurança de robôs industriais e de sua integração, e a especificação técnica ISO/TS 15066 trouxe orientações específicas para a operação colaborativa. No Brasil, o uso de robôs em máquinas também passa pelos requisitos da NR-12.
A tarefa do Unimate, cuidar de uma máquina e movimentar peças, continua entre as aplicações mais comuns da robótica. O leque, porém, se ampliou muito. Nas fábricas atuais, os robôs aparecem em:
O que mudou de 1961 para cá foi a capacidade de perceber o ambiente. O primeiro robô industrial repetia cegamente a sequência do tambor; os atuais corrigem a trajetória com visão, medem a força de contato e trocam dados com o CLP e com os sistemas de gestão da produção.
Olhando 65 anos para trás, algumas lições do Unimate continuam atuais para quem projeta ou compra automação:
Em 2003, o Unimate foi incluído no Robot Hall of Fame, da Universidade Carnegie Mellon, ao lado de robôs da ficção e da pesquisa. George Devol entrou para o National Inventors Hall of Fame em 2011, ano de sua morte. Os dois registros reconhecem que a primeira linha com um braço programável, em 1961, abriu o caminho para as centenas de milhares de robôs instalados todos os anos nas fábricas do mundo.
O Unimate, criado a partir da patente de George Devol e comercializado pela Unimation, empresa fundada por Devol e Joseph Engelberger. Ele começou a operar em 1961 em uma fábrica da General Motors em Nova Jersey, nos Estados Unidos.
Retirava peças fundidas sob pressão, ainda quentes, da máquina de fundição e as empilhava. Era uma operação perigosa para os trabalhadores, pela exposição ao calor e aos fumos e pelo risco de acidentes.
O Unimate era hidráulico, tinha cinco graus de liberdade e guardava o programa em um tambor magnético. Os robôs atuais são, em geral, elétricos, com seis ou mais eixos, controle por computador, sensores e integração em rede com o restante da máquina.
Robôs colaborativos, projetados para trabalhar próximos de pessoas quando a apreciação de riscos permite. Eles usam limitação de força e potência, sensores e velocidades reduzidas para dispensar parte das proteções físicas de uma célula convencional.
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