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Como ler um diagrama elétrico de comando: símbolos e convenções básicas

Por Redação ·

Como ler um diagrama elétrico de comando: símbolos e convenções básicas

Antes de abrir a porta de um painel para procurar um defeito, o técnico experiente abre o diagrama. É ali que estão a lógica da máquina, o caminho de cada fio e a identificação de cada componente. Saber como ler diagrama elétrico de comando é, por isso, uma das primeiras competências de quem entra na manutenção ou no projeto: reduz o tempo de diagnóstico, evita intervenções às cegas e é condição para trabalhar com segurança.

A seguir, os símbolos e as convenções mais usados e, no fim, a leitura passo a passo de um circuito de partida direta de motor.

Diagrama de força e diagrama de comando

A primeira distinção a fazer é entre os dois tipos de circuito que aparecem no projeto de uma máquina:

Os dois se conversam: a bobina do contator aparece no diagrama de comando, e os contatos principais do mesmo contator aparecem no diagrama de força. A identificação igual nos dois desenhos é o que permite ligar uma coisa à outra.

As normas por trás dos símbolos

Os símbolos gráficos usados em esquemas elétricos seguem, na maior parte do mundo, a série IEC 60617, que reúne os símbolos padronizados para diagramas. A identificação de componentes segue a lógica da série IEC 81346, que substituiu a antiga IEC 61346, com letras que indicam a função de cada item. No Brasil, as normas da ABNT adotam essas referências internacionais, e muitos projetos ainda usam a codificação tradicional de uma letra, herdada de normas alemãs e de edições anteriores das normas IEC.

Na prática, o técnico encontra na planta diagramas de épocas e escolas diferentes. Por isso vale conhecer as duas formas e, sempre, consultar a legenda que acompanha o projeto.

Os símbolos que aparecem em quase todo diagrama

No padrão IEC, os circuitos de comando costumam ser desenhados na vertical, com a alimentação em cima e o retorno embaixo, e os contatos são representados no estado de repouso, isto é, sem energia e sem atuação.

Contatos

Bobinas

A bobina de um contator ou relé é representada por um retângulo, com os terminais identificados como A1 e A2. Quando ela é energizada, todos os contatos do mesmo equipamento mudam de estado: os NA fecham, os NF abrem.

Botoeiras e comandos manuais

Botões de pressão aparecem como contatos com um atuador em forma de T. O botão de desliga costuma ser NF e o de liga, NA. O botão de emergência tem símbolo próprio, com atuador em forma de cogumelo e indicação de retenção.

Proteções

Identificação dos componentes

Cada componente recebe uma etiqueta formada por letra e número. Na convenção tradicional de uma letra, ainda muito comum nos painéis brasileiros, as mais frequentes são:

A edição mais recente da IEC 81346 usa códigos de duas letras que classificam o componente pela função (por exemplo, QA para comutação de potência). Diagramas novos podem trazer essa codificação, e a legenda do projeto é a referência para decodificá-la.

Numeração de terminais e bornes

Os terminais dos componentes seguem uma numeração padronizada que ajuda muito na leitura:

Os bornes da régua de interligação recebem o nome da régua e o número do borne, como X1:5 ou X2:12. Em diagramas bem feitos, cada fio tem um número ou uma referência cruzada que indica em que folha e coluna ele continua. Ao lado da bobina de um contator, por exemplo, uma tabela indica em quais folhas estão os contatos desse contator.

Lendo um circuito de partida direta, passo a passo

O circuito de partida direta com selo é o exemplo clássico e reúne quase tudo que foi visto até aqui. No diagrama de comando, de cima para baixo, aparecem em série:

  1. Fusível de comando F2, que protege o circuito.
  2. Contato 95-96 do relé de sobrecarga F1, normalmente fechado.
  3. Botão de desliga S0, normalmente fechado.
  4. Botão de liga S1, normalmente aberto, com o contato 13-14 do contator K1 ligado em paralelo com ele.
  5. Bobina A1-A2 do contator K1, que fecha o circuito até o retorno.

A leitura funciona assim:

Com esse raciocínio, qualquer circuito de comando pode ser lido: percorre-se cada ramo de cima para baixo, verifica-se o estado de cada contato e identifica-se o que precisa acontecer para a bobina ser energizada.

Boas práticas antes de mexer no painel

Fontes e referências

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre contato NA e NF?

O contato NA (normalmente aberto) não conduz em repouso e fecha quando o dispositivo é acionado. O NF (normalmente fechado) conduz em repouso e abre quando acionado. Nos diagramas, ambos são desenhados na condição de repouso.

O que é o contato de selo?

É um contato auxiliar NA do próprio contator, ligado em paralelo com o botão de liga. Depois que o contator é energizado, esse contato mantém a bobina alimentada mesmo com o botão solto, até que o botão de desliga ou uma proteção abra o circuito.

Por que o relé de sobrecarga aparece nos dois diagramas?

Porque ele tem duas partes. O elemento de detecção fica no circuito de força, em série com o motor, e os contatos auxiliares ficam no circuito de comando, onde desligam a bobina do contator quando há sobrecarga.

Diagrama unifilar e diagrama de comando são a mesma coisa?

Não. O unifilar representa a distribuição de energia de forma simplificada, com uma linha para o conjunto de fases. O diagrama de comando mostra a lógica de acionamento, contato por contato, e é o que se usa para entender o funcionamento da máquina.

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