Adequar uma máquina à NR-12 é um trabalho de engenharia que começa na apreciação de riscos e termina em documentação. Antes disso, porém, é preciso saber o que olhar. Este checklist organiza, por tema, os pontos que costumam aparecer em inspeções, auditorias internas e diagnósticos de adequação. Ele não substitui o texto da norma nem a apreciação de riscos: serve para percorrer a máquina com método e registrar o que precisa de análise mais profunda.
O conteúdo conceitual da norma — o que ela exige, como se relaciona com o projeto de automação e o que muda no dia a dia da fábrica — está no guia sobre NR-12 e segurança de máquinas na automação. Aqui o formato é de campo: leve a lista, marque o que está conforme e anote o que não está.
Como usar antes de começar
Antes de marcar o primeiro item, registre a identificação da máquina (tag, fabricante, modelo, número de série, ano), o setor, o responsável pela operação e a data da verificação. Sem isso, a lista preenchida perde valor como registro. Percorra a máquina parada e bloqueada, e depois observe um ciclo de operação normal, porque muitos riscos só aparecem em movimento.
Cada item marcado como não conforme deve gerar uma ação com responsável e prazo. Itens duvidosos não devem ser marcados como conformes: devem ir para a apreciação de riscos.
Arranjo físico e instalações
- [ ] Área de circulação ao redor da máquina livre, demarcada e com largura suficiente para operação e manutenção
- [ ] Piso da área de trabalho nivelado, resistente às cargas e sem acúmulo de óleo, água ou resíduo
- [ ] Iluminação adequada nos pontos de operação, ajuste e inspeção, sem ofuscamento nem efeito estroboscópico
- [ ] Máquina fixada ou estabilizada de forma a não deslocar nem tombar em operação
- [ ] Distância mínima entre máquinas e entre máquina e paredes respeitada, considerando peças em movimento e material processado
- [ ] Instalações elétricas protegidas contra impacto mecânico, umidade, poeira e agentes corrosivos
- [ ] Quadros e painéis elétricos fechados, com acesso restrito e sem partes vivas expostas
- [ ] Aterramento executado e verificado, com continuidade comprovada nas partes metálicas
- [ ] Cabos e mangueiras organizados, sem passar por áreas de circulação nem sofrer esmagamento
- [ ] Identificação de circuitos, disjuntores e dispositivos conforme o diagrama elétrico atualizado
Dispositivos de partida, acionamento e parada
- [ ] Dispositivos de partida instalados fora da zona de perigo, ao alcance do operador e protegidos contra acionamento acidental
- [ ] Impossibilidade de partida automática ao restabelecer a energia após queda de tensão
- [ ] Sistema de comando que impeça acionamento por falha simples do circuito
- [ ] Comando bimanual, quando aplicável, com simultaneidade e distância de segurança calculadas
- [ ] Seletor de modo de operação com chave ou senha, com acesso restrito a pessoal autorizado
- [ ] Modo manual, quando existente, com velocidade reduzida ou movimento por pulsos e comando de ação mantida
- [ ] Dispositivos de parada normal acessíveis de todos os postos de trabalho
- [ ] Circuitos de comando protegidos contra interferência e com tensão compatível com o ambiente
Parada de emergência
- [ ] Botões de emergência do tipo soco, vermelhos sobre fundo amarelo, com retenção e destravamento intencional
- [ ] Posicionamento que permita alcance rápido de todos os postos de operação e das rotas de fuga
- [ ] Cabo de emergência (puxar para parar) em máquinas longas, com tensionamento correto e sinalização
- [ ] Acionamento da emergência para todos os movimentos perigosos, sem criar risco adicional
- [ ] Impossibilidade de religamento automático após destravar o botão: exige comando deliberado de rearme
- [ ] Circuito de emergência independente do comando operacional, com nível de desempenho compatível com o risco avaliado
- [ ] Teste funcional de cada dispositivo de emergência registrado com data e responsável
- [ ] Emergência que não desative, sozinha, dispositivos necessários à segurança, como freios e travas
Proteções fixas, móveis e intertravamentos
- [ ] Todas as zonas de perigo por prensagem, corte, arraste, enrolamento e projeção protegidas
- [ ] Proteções fixas removíveis apenas com ferramenta, sem possibilidade de remoção manual
- [ ] Proteções móveis com dispositivo de intertravamento que impeça a operação com a proteção aberta
- [ ] Intertravamento com bloqueio quando o movimento perigoso não para imediatamente após a abertura
- [ ] Dispositivos de intertravamento instalados de modo a dificultar a burla, com montagem e fixação adequadas
- [ ] Distâncias de segurança verificadas para altura, alcance por cima, por baixo e através de aberturas
- [ ] Cortinas de luz, tapetes e scanners dimensionados com base no tempo de parada real da máquina
- [ ] Tempo de parada medido periodicamente e registrado, porque ele muda com o desgaste de freios e embreagens
- [ ] Proteções resistentes à carga e ao impacto previstos, sem cantos vivos ou rebarbas
- [ ] Enclausuramento de partes móveis de transmissão: correias, polias, engrenagens, correntes e eixos
- [ ] Função de segurança executada por componentes certificados, e não pela lógica padrão de um CLP comum
- [ ] Nível de desempenho ou nível de integridade exigido definido na apreciação de riscos e comprovado por documento do fornecedor
Transportadores e movimentação de materiais
- [ ] Partes móveis e pontos de agarramento de correias, roletes e tambores enclausurados ou protegidos
- [ ] Dispositivo de parada de emergência ao longo de todo o transportador, acessível de qualquer ponto
- [ ] Passarelas, escadas e guarda-corpos onde houver travessia ou acesso em altura
- [ ] Proteção contra queda de material sobre áreas de circulação
- [ ] Sinalização sonora ou visual de partida em transportadores longos ou com visão obstruída
- [ ] Dispositivo antirretorno em transportadores inclinados
- [ ] Bloqueio de energia previsto para limpeza e desobstrução, com procedimento escrito
Ergonomia e posto de trabalho
- [ ] Altura do plano de trabalho compatível com a tarefa e com o operador
- [ ] Alcance de comandos e dispositivos sem posturas forçadas nem extensão excessiva
- [ ] Assento ou apoio disponível quando a tarefa permitir trabalho sentado
- [ ] Esforço físico de acionamento compatível, sem exigir força excessiva
- [ ] Ruído e vibração avaliados, com medidas de controle quando necessário
- [ ] Sinalização e indicadores visíveis da posição normal de trabalho
- [ ] Alimentação e retirada de peças sem exposição da mão à zona de perigo
Manutenção, inspeção e bloqueio de energia
- [ ] Procedimento escrito de bloqueio e etiquetagem de energias perigosas, incluindo elétrica, hidráulica, pneumática, térmica e gravitacional
- [ ] Dispositivos de bloqueio individuais, com cadeado e etiqueta, disponíveis para cada pessoa envolvida
- [ ] Dissipação de energia residual garantida: acumuladores, capacitores, molas e massas suspensas
- [ ] Pontos de lubrificação, ajuste e inspeção acessíveis sem entrar na zona de perigo com a máquina energizada
- [ ] Plano de inspeção e manutenção preventiva das proteções e dos dispositivos de segurança
- [ ] Registro de intervenções, com data, serviço executado e responsável
- [ ] Peças de reposição dos dispositivos de segurança especificadas e disponíveis
- [ ] Verificação periódica do funcionamento de intertravamentos, cortinas e emergências, com periodicidade definida
Sinalização, símbolos e advertências
- [ ] Sinalização de advertência nas zonas de perigo, visível e em português
- [ ] Símbolos e cores conforme as normas técnicas aplicáveis, sem excesso de placas que anule a atenção
- [ ] Identificação clara de comandos, com função indicada e sentido de movimento
- [ ] Placa de identificação da máquina legível, com fabricante, modelo, série e ano
- [ ] Sinalização de tensão e de energias perigosas nos painéis e nas tubulações
- [ ] Marcação de áreas de risco no piso, quando aplicável
- [ ] Advertências removidas quando o risco foi eliminado, para não gerar ruído visual
Capacitação e procedimentos
- [ ] Operadores capacitados para a máquina específica, com registro de carga horária e conteúdo
- [ ] Profissionais de manutenção habilitados e autorizados para as intervenções que executam
- [ ] Procedimento de trabalho e segurança disponível no posto, em linguagem compreensível
- [ ] Reciclagem de capacitação prevista, com periodicidade definida
- [ ] Trabalhadores informados sobre os riscos residuais e as medidas de controle
- [ ] Autorização formal para operação de máquinas com risco elevado
- [ ] Procedimento de emergência definido e treinado, incluindo resgate em caso de aprisionamento
Documentação e apreciação de riscos
- [ ] Apreciação de riscos documentada, com metodologia, riscos identificados e medidas adotadas
- [ ] Projeto de adequação assinado por profissional habilitado, com ART quando aplicável
- [ ] Manual de instruções em português, com informações de instalação, operação, manutenção e riscos residuais
- [ ] Diagramas elétrico, hidráulico e pneumático atualizados e disponíveis
- [ ] Lista de dispositivos de segurança com fabricante, modelo e características declaradas
- [ ] Inventário de máquinas com situação de adequação de cada uma
- [ ] Registros de inspeção, manutenção e teste funcional arquivados
- [ ] Relação da máquina com o programa de gerenciamento de riscos da empresa
Como usar o checklist
A lista não é uma sentença de conformidade. Ela é um instrumento de triagem. O fluxo que funciona na prática tem quatro passos:
- Percorrer e marcar. Preencha com a máquina parada e depois em operação. Fotografe o que estiver não conforme.
- Classificar. Separe o que é ajuste imediato (uma proteção solta, uma placa ilegível) do que exige projeto (substituir um comando, especificar cortina de luz, refazer o circuito de segurança).
- Apreciar riscos. Tudo que envolve função de segurança precisa de apreciação de riscos formal, que define o nível de desempenho exigido. Nenhuma lista pronta substitui essa etapa.
- Planejar e registrar. Ação, responsável, prazo e verificação depois de executada. O registro é o que sustenta a defesa técnica da empresa.
As referências normativas são a NR-12, do Ministério do Trabalho e Emprego, e as normas técnicas de segurança de máquinas: a ABNT NBR ISO 12100, que trata de princípios gerais de projeto e apreciação de riscos; a ISO 13849-1, sobre partes de sistemas de comando relacionadas à segurança; e a ISO 14119, sobre dispositivos de intertravamento associados a proteções. Consulte sempre a versão vigente de cada uma, porque numeração de itens e requisitos mudam entre edições, e a adequação deve seguir o texto em vigor na data do projeto.
Para imprimir
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Antes de imprimir, vale acrescentar à folha os dados de identificação da máquina e um campo de assinatura do responsável pela verificação. Uma lista preenchida sem identificação e sem data não serve como registro.